A arte de liderar



Você se considera um bom líder? A arte de liderar não é expressa somente quando se tem formalmente uma relação hierárquica entre indivíduos e ocorre em diversas situações, entre grupos de pessoas onde a liderança emerge momentaneamente, sem nenhuma relação de poder envolvida.


Nas organizações, a liderança é, normalmente, atribuída a um indivíduo por sua capacidade técnica adquirida em alguns anos exercendo um conjunto de atividades, tornando-o mais experiente, habilitando-o ao papel de coordenação de um grupo que atuará na execução dos processos sob sua responsabilidade. Quando isso acontece, essa liderança emergente se apresenta muito mais no papel de um gestor de equipe do que realmente um líder de pessoas. A arte de liderar exige mais que somente as habilidades mentais, mas também as habilidades emocionais. Em outro artigo publicado aqui no blog, eu explico a diferença entre ser gestor e ser um líder e recomendo a leitura antes de continuar a ler esse texto (link no final do artigo).


Segundo David Ulrich, a liderança é a atividade de influenciar pessoas, fazendo-as empenhar-se voluntariamente em objetivos de grupo. A partir desse conceito, fica claro que uma das principais responsabilidades do líder é promover o engajamento espontâneo das pessoas para alcançar um objetivo comum. Na primeira fase do exercício da liderança, é muito comum o líder utilizar-se da estrutura de poder para conseguir o engajamento das pessoas como mera recompensa pelo seu contrato de trabalho, sob o risco de uma rescisão contratual, estabelecendo uma relação permeada pelo medo. Nesse caso, as entregas das pessoas passam a ser limitadas pelos acordos estabelecidos, não indo além do que foi lhe solicitado.


Segundo o professor Sigmar Malvezzi, da Fundação Dom Cabral, a liderança de um indivíduo A sobre o indivíduo B ocorre quando A consegue influenciar B e esse aceita ser influenciado por A. Essas trocas ocorrem através de equações singulares arquitetadas pelas necessidades pessoais e a busca de sua satisfação na relação de reciprocidade entre o eu e o outro. O sucesso da equação das trocas cria a força da influência interpessoal. O eu e o outro oferecem, aceitam ou recusam trocas entre si.


Segundo Mário Sérgio Cortella, liderar é inspirar, animar e motivar ideias, pessoas e projetos. A liderança exige sensibilidade, por isso é considerada uma arte. Eu gosto desse conceito porque ele introduz um importante fator para o sucesso do líder, a conexão emocional capaz de inspirar e motivar o outro muito mais do que um simples acordo estabelecido.


Aprender a liderar implica menos em característica individual e mais na capacidade de construir relações eu-outro. É um trabalho artesanal e pode ser desenvolvido, não havendo fórmulas para o exercício da liderança. Na realidade, cada líder tem que encontrar seus estilos individuais.


Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, define a liderança como sendo a gestão de energia, primeiramente própria e depois dos outros. Esse conceito traz a perspectiva de autoconhecimento, da gestão de si mesmo para liderar o outro.


Cecília Bergamini, doutora e livre docente na FEA-USP, define a liderança como um processo social para o qual as relações de influência entre pessoas e grupos são predominantes. Ela é formada pelos líderes, liderados, um fato e um momento social, ou seja, uma situação.”


Por último, eu gostaria de apresentar-lhes a teoria de Ken Blanchard & Paul Hersey que define a liderança como uma teoria que centra seu foco sobre os liderados, ou seja, o estilo do líder tem que se ajustar ao nível de prontidão e de motivação dos liderados em diferentes situações e contextos. Esse conceito abre uma perspectiva de desenvolvimento de estilos de liderança que devem ser combinados dependendo da situação, da maturidade dos liderados e da habilidade do próprio líder. Nos próximos artigos abordarei os seis estilos apresentados por Blanchard em seu livro Liderança de Alto Nível.


A partir dessa conversa com os autores, eu quero destacar alguns pontos importantes para a resposta à pergunta inicial: Você é um bom líder?


  1. Liderança é bem diferente de chefia e pode ser percebida com uma aliança entre parceiros que se unem para entrega de um objetivo comum. Autoridade (chefia) é um poder atribuído a um papel formal no grupo, ao passo que liderança é um papel emergente (atribuído pelo grupo a um indivíduo).

  2. Um grande líder deve exercitar a colaboração na execução da rotina, promovendo o diálogo, a escuta e a exploração da diversidade como riqueza de pensamentos para a solução de um problema.

  3. Um grande líder deve fomentar a identidade coletiva e instituir a autonomia responsável. Eu costumo definir a autonomia como algo que se conquista pelo colaborador, em um ambiente onde o líder estimula e promove o desenvolvimento contínuo das pessoas, abrindo o espaço para essa conquista, por meio da delegação e acompanhamento.

  4. Um líder é capaz de aliar suas emoções e conhecimentos, levando em consideração as emoções e conhecimentos dos liderados, criando uma ressonância entre todos da equipe. Um grande líder alia a mente e o coração para gerar conexão emocional e construir uma influência positiva capaz de gerar o engajamento espontâneo.

  5. No ambiente de negócios atual, as organizações estão passando por grandes transformações, reconstruindo seu modelo de gestão para estimular a criatividade e inovação para a solução de problemas cada vez mais complexos. A liderança imposta pelo medo inibe as pessoas (muitas delas em rotinas com contato direto com o cliente em suas rotinas) de ousarem, de serem protagonistas em suas propostas de melhoria nos processos que atuam.

  6. Ser líder é construir poder com as pessoas e não sobre as pessoas.

  7. A liderança não se trata de uma posição, mas sim de quem o líder é.


E então, o que me diz? Você é um bom líder? Quais grupos você lidera? Quais os comportamentos você associa a essa boa liderança? Deixe seus comentários aqui no blog.


Por: Reinaldo Rachid

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