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A Bela Atarantada




Era uma vez uma gestora de projetos chamada Aurora. Aurora era jovem, mas desde seu primeiro estágio, ainda na faculdade, havia escolhido entre as amigas sete mentoras de liderança.


Nazaré trabalhava em uma multinacional hindu de TI e era uma visionária. Com ela Aurora aprendeu a ter uma visão de futuro de curto, médio e longo prazos bastante atraente e bem fundamentada. Aurora observava, era bem-informada e antes de tudo procurava conhecer as pessoas e o meio ambiente onde estava.


Gita, amiga de sua família, era uma executiva da indústria de petróleo e desde sempre mostrou para Aurora a importância de desenvolver as competências de sua equipe para ter um time que pudesse alcançar resultados extraordinários. A equipe de Aurora estava sempre se desenvolvendo, fazendo todos os tipos de cursos e treinamentos. Mas Aurora também fazia questão que cada um da equipe tivesse em si o forte desejo de melhorar.


Dunya era uma refugiada nigeriana que, com sua história de vida, mostrava a Aurora a importância de se ter os pés do chão, e que a melhor maneira de criar uma realidade melhor era assumir que a realidade nunca atende 100% das expectativas.


Yara era uma grande amiga, dramaturga e atriz profissional. A lista impressionante de papéis que Yara já havia interpretado mostrava a Aurora a importância da flexibilidade e da agilidade, de conseguir se adaptar as diferentes situações.


Chingchan era uma coreana que, apesar da dificuldade, aprendera muito bem o português e era uma mestra da comunicação. Chingchan nunca deixava mal-entendidos ou coisas a falar. Com ela Aurora aprendeu a arte do feedback, tanto positivo quanto negativo, e a importância do reconhecimento para que a equipe se comprometa com o projeto.


Karen, a mais séria e ciumenta de suas amigas passava para Aurora o senso de responsabilidade. De que tudo o que acontecesse com a equipe era em última instância responsabilidade de sua líder.


Uma vez, em um almoço entre as amigas, quando Karen chegou todos os lugares já estavam tomados. Tiveram que providenciar um banquinho, pois as cadeiras estavam todas ocupadas. Karen ficou muito mal-humorada, principalmente quando Aurora pediu desculpas e disse que era culpa dela, que ela mesma havia posto a mesa.


Neste dia, Karen fez um longo sermão sobre a responsabilidade do líder e sobre a diferença entre uma liderança engajada, que apoia, aponta caminhos e desenvolve a equipe, e uma micro gestão controladora, onde o líder tem uma necessidade tão grande de controlar cada detalhe que pode até acabar fazendo o trabalho pela equipe e desmotivando a todos, exatamente o que Aurora tinha feito ao por a mesa depois de contratar um serviço de buffet para o almoço!


Karen ainda acrescentou que o dia que Aurora fizesse isso com sua equipe, que se sentasse para fazer o trabalho de um deles, perderia totalmente o controle da situação e nunca mais conseguiria um desempenho ótimo de seu time.


Aurora ficou assustada, mas Alma, a última amiga, que talvez por influência do nome era uma psicóloga e coach de vida, reassegurou Aurora que nada nesta vida era definitivo e que tão importante quanto conhecer os pontos fortes e fracos de sua equipe era conhecer os pontos fortes e fracos de si mesma.


A partir desse dia Aurora passou a tomar muito cuidado com isto, mas a vida foi acontecendo e ela foi desenvolvendo os projetos conforme apareciam, sempre com excelente desempenho. Clientes internos e externos pediam por sua equipe, uma equipe madura e muito bem ajustada.


Até que aconteceu a pandemia de 2020. Todos foram mandados para casa e Aurora ficou bem perdida no seu papel como gestora à distância. Além disso, algumas pessoas pegaram COVID e a equipe ficou bastante desfalcada. Com muito trabalho a fazer, Aurora conseguiu contratar um estagiário, que não tinha nenhuma experiência e quase nenhum conhecimento.


A equipe se sentiu perdida e o projeto começou a atrasar. Aurora começou a fazer intermináveis reuniões a distância e gradualmente foi se tornando mais e mais controladora. Achava que as pessoas, por estarem em casa, estavam trabalhando menos, se esquecendo que todos estavam com muito mais trabalho por conta dos que saíram.


Aurora começou a checar pessoalmente detalhe por detalhe, tarefa por tarefa. Tudo tinha que ser do jeito dela. A equipe não tinha mais autonomia nenhuma para criar. Estarem presos em casa, a pandemia e a situação no trabalho trouxeram desmotivação e depressão. A qualidade caiu drasticamente.


A gota d´água foi quando Aurora cansou de explicar ao estagiário como fazer e efetivamente programou um dos módulos do projeto. Ela perdeu o foco e passou a executar o trabalho de cada um, para que ficasse no padrão de qualidade que ela queria.


O estresse subia, Aurora trabalhava 20 horas por dia, não se entendia mais com a equipe e apesar de exausta não conseguia dormir. A equipe murchava, super desmotivada, se sentindo desvalorizada e com medo de falar para não perder o emprego.


Os clientes, que antes queriam a equipe, agora fugiam. Aurora, no auge do stress procurou Alma, e iniciou um processo de coaching, que a fez compreender melhor a si mesma, suas inseguranças e os melhores estilos de gestão que poderia adotar.


Foi essa iniciativa que a acordou, não foi o beijo milagroso de nenhum príncipe. E depois, a felicidade não veio instantaneamente. Foi um longo aprendizado. Reparar erros e recuperar a equipe. Mas eles conseguiram. Um esforço cooperativo de todos reestruturou a alta performance antes de maiores danos acontecerem. Os clientes demoraram um pouco mais para se convencer, mas a partir daí Aurora passou a ser uma gestora melhor, bem acordada e atenta a equipe e a si mesma.


Por: Pá Falcão

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