A colaboração, uma competência para fortalecer as organizações.


Em todos os temas debatidos na atualidade, uma das palavras que mais aparece é colaboração. Talvez, por nos depararmos com a capacidade do ser humano em se mobilizar, diante do contexto social pelo qual estamos passando, que mostra como nos isolarmos é uma ação importante para o coletivo. Ou, ainda, por estarmos diante de uma realidade na qual não temos os nossos colaboradores sob o nosso olhar e, mesmo eles estando em casa, precisamos garantir as entregas. Para mim, acaba soando estranho chamarmos os humanos que trabalham conosco de colaboradores e não pensarmos, de fato, como podemos fomentar a real colaboração.


Entendido que, no fundo, em algum nível, sabemos colaborar, por que muitas vezes assumimos uma competição onde o recomendado seria colaborar? Quantas competições travamos em nossa mente no dia a dia ou quantas situações são criadas, nas quais somos incitados a ser competidores. A real competição ocorre da porta para fora da empresa, no mercado. Então, internamente, as empresas deveriam fomentar a colaboração como forma de se fortalecer, quebrando os famosos silos organizacionais e provendo uma atuação mais sistêmica.


Fomos educados em um sistema que reforça a ideia de que não há recursos para todo mundo – Paradigma da Escassez. Por isso, temos que estar preparados para vencer, ser melhores que os outros. Aprendemos, também, que nas organizações não podemos ser quem somos, como se fosse possível separar o “pessoal” do “profissional”. As pessoas não se expõem com medo de serem julgadas, ridicularizadas, com receio de que pensar diferente é não estar alinhado com o propósito da organização. Isso, no fundo, reforça o modelo mental da escassez, no qual nos contentamos com o que já foi criado e lutamos por espaço ao sol.


Há alguns anos, nós já reconhecíamos a necessidade de inovar nas empresas, de manter um ambiente onde as pessoas são estimuladas a propor ideias, experimentar novas abordagens, expor seu ponto de vista, ser criativas. Como a colaboração pode fortalecer esse ambiente?

Ressalto aqui 4 virtudes da colaboração (Fábio Brotto) que apresento destacando nossos comportamentos nas organizações:

1) Desapego: será que nos comprometemos com uma decisão tomada, mesmo não sendo meu ponto de vista inicial?

2) Abertura para compartilhar: nenhuma transformação nasce de uma ideia isolada. A riqueza está na complementaridade de ideias, em um processo aberto de inovação.

3) Plena Atenção: vivo o presente, atento ao que estou fazendo ou estou repetindo consistentemente padrões de comportamentos enraizados?

4) Integridade: posso ser eu mesmo e correr o risco de demonstrar que preciso me desenvolver em certos temas? As organizações não evoluem se as pessoas que estão nela não evoluírem.


Definir um sonho, alinhar toda a organização por meio de um desdobramento inteligente das metas não é suficiente para a transformação.


Trazendo esses temas para o momento atual, tenho dito que a necessidade faz a transformação. Se não nos desafiarmos internamente, o externo o fará. Assim, temos vivido relações profissionais fisicamente mais distantes, em home office, mas que podem ser observadas sobre uma outra perspectiva: a relação com o humano colaborador. Passados os primeiros momentos de adaptação e ajustes, poderemos ver alguns aprendizados.


Para que a produtividade não caia, temos que pensar em formas de gestão mais próximas e em ciclos menores para garantir as entregas. Estamos falando mais com as pessoas por telefone, promovendo acompanhamento diários, semanais, criando entregáveis mais curtos, realizando reuniões virtuais, entrando na casa das pessoas e nos surpreendendo positivamente como muitos estão engajados, lidando com muito mais trabalho por estar em casa, buscando administrar o próprio tempo. E, em relação a este ponto, surge questão para reflexão: será que estamos mais distantes ou mais próximos das pessoas, usando a tecnologia disponível? Será que quando estávamos todos no mesmo andar, separados por baias, estávamos realmente mais próximos?


A colaboração pode ser estudada em 4 grandes pilares, segundo Fábio Brotto: a coexistência, a convivência, a cooperação e a comunidade.


A coexistência, pela qual percebemos que está tudo interligado e o que acontece em um lugar afeta o outro. Ou seja, cada decisão que tomamos afeta positivamente ou negativamente outras partes. Nas empresas, chamamos isso de visão sistêmica.


A convivência, onde precisamos perceber e respeitar o outro, reconhecendo as diferenças, entendendo que o pensar diferente pode ser positivo para o aprendizado de ambas as partes. Quando nasce, um bebê sabe da sua existência porque reconhece a vida no outro. Falamos aqui de convivência em três níveis: primeiro e o mais importante é a convivência “eu comigo mesmo”, que tanto tem a ver com o autoconhecimento e desenvolvimento da consciência do líder. O segundo trata da convivência com o outro. Então, quem é o outro para você? E por último – mas não menos relevante - a convivência com o sistema, expressa por meio do propósito.

A cooperação, pilar no qual a confiança é atributo mais importante. Recentemente assisti a um webinar da Fundação Dom Cabral, com a professora Leni Nunes, durante o qual ela destacou a equação da confiança apresentada no livro The Trusted Advisor Fieldbook (Green & Howe).


Confiança = (Credibilidade + Confiabilidade + Proximidade) / S (foco em si mesmo).


Recomendo assistir a esse webinar para compreender a importante relação que ela faz sobre esses fatores. Mas destaco aqui o papel negativo que o foco em si mesmo traz para a confiança, colocando em sério risco a colaboração.


Por último, destaco o senso de comum-unidade que está ligado ao SER e SERVIR ao mesmo propósito. Um dos principais fatores que percebemos nos profissionais mais engajados é o alinhamento do seu propósito com o propósito da organização. O propósito precisa estar explicitado no centro, para que seja capaz de unir todas as pessoas da empresa.


A colaboração não deve ser somente uma ferramenta para lidar com a situação atual. O meu convite, então, é para aprendermos com o momento e pensarmos em que ações podemos fazer para que não sejam apenas manifestações solidárias, um com o outro e, sim, atitudes centrais na nossa maneira de viver o mundo.


Podemos transformar o Paradigma da Escassez e juntos criar mais abundância. Em um trabalho de consultoria recente, um gestor me perguntou: mas o orçamento é limitado, não temos abundância. E eu respondi: o orçamento é algo que muda anualmente e, se a empresa crescer e estiver saudável, você poderá criar mais projetos, sonhar mais alto. Isso é abundância. Acreditar no sonho grande e estimular todos o vencer juntos.


O que fará a diferença no futuro será a capacidade de nos relacionarmos atentamente com o outro, dialogando com escuta ativa, percebendo o outro.

Quando há a colaboração disciplinada, o resultado do todo é maior e permite um aumento de produtividade, pois podemos confiar que cada um sabe claramente o seu papel e a sua responsabilidade.


Hoje encontramos nas organizações muitas barreiras à colaboração, no nível pessoal ou na própria cultura organizacional.


Podemos citar, por exemplo, a barreira do “não inventado aqui”, quando julgamos que por sermos responsáveis por uma área, devemos buscar a solução dentro da área. Achamos que o outro deveria cuidar da sua área e não se meter na nossa área.


Outra barreira é a da “retenção”, quando evitamos compartilhar ideias por desejo de autoria da mesma ou aguardando o melhor momento para falar com a pessoa certa.


Além disso, nos distanciamos em nome da própria segurança da informação, quando julgamos que determinadas pessoas não podem ter acesso a assuntos importantes para sua análise ou o seu trabalho.

No nível pessoal, podemos citar o ego, líderes que pensam em si e se colocam muitas vezes como centro de tudo (lembre-se no centro deve estar o propósito), o medo de se mostrar, atitudes de defesa, a arrogância em achar que sabemos tudo, e o desejo de poder. A colaboração não trata de um poder sobre o outro e, sim, do poder com o outro. Trata de sermos mestres-aprendizes no caminho da evolução.


Existem ações que podemos implementar e que podem favorecer a colaboração. Cito algumas aqui:


• Estimular a participação, envolvendo outras pessoas com diferentes visões. Envolvemos a mesma pessoa ano após ano para propor um plano de ação no qual ele irá, muitas vezes, trazer a mesma abordagem, o mesmo viés. Promover o diálogo como forma de resolver os problemas.

• Definir metas de equipe que promovam integração entre áreas.

• Criar lideranças por projetos, com equipes diversificadas.

• Associar o erro à uma necessidade de melhoria do processo, antes de incentivar a busca pelo culpado.

No nível individual, eu convido você a pensar em quantas atitudes de colaboração se beneficia no dia a dia para viver.


É importante fortalecer a relação “eu comigo mesmo” para que possamos nos escutar melhor. Para mim, a melhor forma de trabalhar a escuta ativa é escutar a nós mesmos, o que dizemos quando somos submetidos à uma questão que nos exige rapidez de pensamento e que ativa nossos gatilhos emocionais.


O autoconhecimento é um ponto relevante para encontrar nossas referências internas, quando muitas vezes criamos e vivemos expectativas de buscar a referência no outro. Queremos ser melhores do que o outro, ao invés de querermos melhorar a partir do entendimento mais profundo de nós mesmos. Queremos ser mais ricos que o outro, quando poderíamos pensar em simplesmente, nos enriquecer.

A colaboração não ocorre na empresa se não for no nível pessoal. Assim, convido os Heads de RH a pensar sobre como podem agir para criar uma organização centrada na colaboração. Como resgatar esse DNA da colaboração em todos?


Destaco aqui alguns comportamentos do líder gestor colaborativo para identificarmos ações em nossas empresas:


• Inspirar e mobilizar a equipe para a busca de resultados comuns.

• Não julgar, compreender e transformar.

• Não assumir qualquer atitude de arrogância e prepotência.

• Dialogar com sua equipe, fortalecendo a comunicação.

• Demonstrar respeito mútuo e mesmo de humildade em relação à diversidade.

• Reconhecer e celebrar os acertos.

• Desenvolver pessoas, estimulando o seu potencial.

• Formar uma equipe competente e complementar, buscando a performance nos resultados.


Para concluir, deixo perguntas para você continuar refletindo: diante das adversidades, quem fará por nós, se não nós mesmos? A força para enfrentar os desafios está dentro da organização, nos humanos que conduzem cada empresa. Se estamos vivendo um momento único, que nos exige protagonismo para Vencer JUNTOS, o que você está fazendo? Por onde quer começar?



Se quiser conversar mais sobre a colaboração na cultura organizacional, nos envie uma mensagem por aqui ou pelo nosso Instagram @raidho_consultoria.

Reinaldo Rachid Sócio RAIDHO Consultoria www.raidhoconsultoria.com (31) 99164-6498


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