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A demanda por nossa atenção

Recentemente assisti ao filme o Dilema das Redes na Netflix, que apresenta reflexões importantes sobre a demanda por nossa atenção e seus efeitos na sociedade moderna. O filme se desenrola sob a narrativa de reconhecidos profissionais que participaram da construção do plano de negócios, dos modelos de crescimento e monetização das redes sociais, onde ocuparam papéis relevantes e estiveram à frente das inovações tecnológicas e das importantes decisões que permitiram essas empresas estar entre as mais valiosas do mundo.


Precisamos reconhecer que a tecnologia e as redes sociais nos possibilitam estabelecer conexões importantes com pessoas que pouco interagíamos, disseminar o conhecimento e encontrar informações de forma ágil, até mesmo encontrar doadores de órgãos, como citado por um dos executivos no filme. Para possibilitar essas e outras facilidades, foram criados algoritmos inteligentes que estão cada vez mais velozes e operando com uma capacidade gigante de processamento dos dados.


O modelo de negócios das redes sociais está centrado em 3 pilares:


1) O engajamento dos “usuários”, representado pelo tempo que permanecem conectados à uma plataforma.


2) O crescimento exponencial em um modelo que estimula o convite de um “usuário” a outras pessoas.


3) A publicidade, representada pela venda da certeza de que uma ação alcançará as pessoas certas.


As notificações que “escolhemos” receber tem a função de demandar nossa atenção e nos conectar por maior tempo nas redes sociais. Os likes que as pessoas recebem atuam como reforço positivo para nos levar com maior intensidade às conexões. Estudos da mente mostram que as ações de identificação e confirmação aumentam os níveis de dopamina produzidos em nosso cérebro, criando uma sensação de bem-estar, de satisfação, de prazer. Por essa razão, fisiologicamente, somos levados a verificar o que está acontecendo nas nossas redes pessoais e fortalecer tais sensações, podendo tornar um círculo vicioso.


O “usuário” é o principal ativo das redes sociais, pois são os mesmos que alimentam os algoritmos gerando o aprendizado sobre nossos comportamentos, nossas escolhas, as conexões que estabelecemos, o tempo que dedicamos a determinados temas e o que curtimos. São aprendizados que vão além do concreto, reconhecendo também nossas emoções, identificando com precisão quando estamos felizes, tristes, ansiosos, deprimidos, se somos mais introvertidos ou extrovertidos. Dessa forma, os algoritmos são aprimorados sem a interferência humana (machine learning), nos sugerindo temas, anúncios, vídeos que estão relacionados com o que o alimentamos, em busca de maior eficiência e precisão.


O enfoque que quero trazer não é uma crítica às redes sociais, mas a forma como dispersamos nossa atenção e os impactos no nosso dia a dia. A narrativa do filme deixa claro que não há um vilão nessa história, mas nos alerta sobre os impactos que precisamos lidar, inclusive sobre a nossa saúde mental.


Estamos vivendo em um momento de singularidade onde as tecnologias estão sendo combinadas gerando enorme capacidade de processamento e de aprendizagem mais rápida do que a mente humana. As mudanças em curso no mundo e nas organizações estão cada vez mais rápidas e complexas, nos demandando criatividade para pensar diferente, onde o certo ontem pode ser o errado em pouco tempo. Se no ambiente de máquina vendem-se certezas, no mundo real lidamos cada vez mais com incertezas.


Para que possamos tomar decisões nesse ambiente, precisamos ter clareza de propósito e ser curiosos para (re)conhecer outros pontos de vista e abordagens diferentes daquelas que estamos acostumados. As redes sociais, nesse sentido, nos trazem a falsa sensação de que estamos sendo alimentados com novos conhecimentos, com novas informações, mas a partir do filme, podemos constatar que o que nos parece novo está de fato relacionado com as nossas escolhas, nos mantendo em “bolhas” que nos fazem acreditar que o mundo real é tal qual o mundo que estamos inseridos.


Trabalho há muitos anos com metodologias de gestão para a solução de problemas e uma das etapas críticas é o reconhecimento correto do problema, observando-o sobre diversas perspectivas para identificar as causas certas e propor um plano resolutivo. Nas metodologias ágeis, chamamos essa etapa de divergir ideias para convergir, priorizando somente após analisar uma gama diversa de opções. As ações propostas estão intimamente ligadas à percepção que cada um tem dos problemas e está fortemente correlacionada com a nossa história pessoal, afetando-nos na compreensão da realidade, impactando nossas decisões.


Por essa razão, estimular a diversidade dentro das organizações é gerar conhecimento e narrativas que compreendam o comportamento dos indivíduos. Promover um ambiente colaborativo permite que as pessoas se sintam à vontade para compartilhar o que pensam e contribuir para trazer novas reflexões que podem somar para a solução dos problemas.


Somos também cada vez mais demandados por tomar decisões com agilidade e eficácia. O que mais comumente eu vejo nas organizações é a agilidade na forma de respostas prontas, automáticas que confirmam um modelo mental existente e com pouca abertura para questionar o status quo, para perceber o novo ambiente e os novos comportamentos do consumidor, mesmo naquelas que estão cientes que a tecnologia transformará seus negócios, exigindo-lhes comportamentos que expressem uma capacidade de inovar.


Uma das estratégias de desenvolvimento da criatividade passa pelo exercício da atenção plena, pela conexão com o momento presente, em uma atitude de curiosidade e percepção do que nos cerca, incluindo uma escuta ativa para ouvir realmente o que o outro está dizendo, nos exigindo empatia para entender o contexto apresentado pelo outro. Logo abaixo, estão links para outros artigos publicado aqui no Wwwarpando sobre esse tema.


Estamos conscientes dos dissipadores da nossa atenção? Como as redes sociais afetam nossa capacidade de percepção?


Recomendo assistir ao filme para que possamos aprender a lidar com a tecnologia existente e nos gerar autoconhecimento sobre o nosso comportamento e os impactos na nossa vida pessoal e profissional.


Por: Reinaldo Rachid

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