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Aprendendo a aprender e (re)descobrindo formas de Viver

Estamos atravessando como humanidade, um momento ímpar, ou, no mínimo, significativo de nossa caminhada. De uma forma ou de outra, não há como não sermos afetados pelas profundas MUDANÇAS, DESAFIOS e INCERTEZAS que nos envolvem atualmente. Mesmo aquelas pessoas que tentam (e conseguem ainda!!) manter alguma “distância” de todas as questões que chegam junto com a pandemia, em algum nível são afetadas por ela, afinal todos habitamos a mesma maravilhosa bola azul, casa Terra, que está sempre em diálogo conosco.


COMUNICAR-SE, estabelecer CONEXÕES, propagar ACOLHIMENTO e CUIDADO é algo que está ao alcance de todo ser humano e que pode ser feito na exata medida das possibilidades de cada um. Por mais singelo que possa parecer, este exercício de nossa humanidade nos fortalece, nos cura.


Ao olharmos para o quadro global que atravessamos e os desdobramentos em todas as dimensões, até chegarmos em nosso mundo interno, percebemos que mudanças, desafios, incertezas, comunicação, conexão, acolhimento e cuidado são uma forma de falarmos sobre educação e aprendizagem. Pensar sobre isso é refletir sobre como aprendemos até agora, sobre como podemos melhorar muito nossa forma de aprender daqui pra frente e, por fim, sobre como esta transformação/transição é indispensável para que mudemos profundamente nossa forma de VIVER e (CON)VIVER com toda a Vida que nos cerca.


Um início possível



O começo para esta transformação passa por nos abrirmos à possibilidade de que a desaceleração forçada, o isolamento ou transformação de nossas interações, a falência de processos sociais que automatizamos a naturalizamos, são provocações para uma reflexão profunda de como gastamos nosso tempo de vida aqui no Planeta. E isto, para quem não percebeu ainda, é uma enorme oportunidade de refletirmos sobre como aprendemos e o que fazemos com o conhecimento que construímos neste processo.


Falar de aprendizagem é uma conversa longa, que acredito que deva ser feita sem pressa, fluindo no tempo Kairós (regido pelo deus do tempo oportuno, o que manifesta o mento certo, o momento oportuno único). Vamos então aos poucos, reservando para este primeiro momento/texto alguns pontos chave, que serão aprofundados em textos/diálogos vindouros.


Para ressignificarmos a educação e o conhecimento que construímos nos processos de aprendizagem, é preciso olhar mais de perto, de forma mais profunda o que entendemos por aprender e como isso acontece conosco. Trazemos como referencial para esta exploração a Aprendizagem Continuada ao Longo da Vida (ou Lifelong learning), uma abordagem que afirma que é possível desenvolvermos habilidades para que uma pessoa com o desejo de aprender, tenha condições de fazê-lo, independentemente de onde e quando isso ocorre. Coloca-se também que é necessário para isto: ter predisposição ao aprendizado, ambientes de aprendizagem e pessoas que possam auxiliar no processo.


Investigando como aprendemos


Mesmo quando não nos damos conta, estamos envolvidos num processo de aprendizagem. Isto porque, podemos pensar que ela se dá simultaneamente em vários níveis de nosso ser.


Para todo ser vivo, o conhecimento é sempre algo marcante, decisivo, vital. Todas as criaturas, a partir de seu nascimento, ou de sua concepção, tornam-se aprendizes. Aprende-se a respirar, a reconhecer o semelhante e o diferente, a reconhecer coisas e sensações, a pedir comida, a achar comida, a lutar pela vida e para satisfazer necessidades e desejos.


Cada pessoa tem uma fórmula exclusiva para aprender e ter consciência disto é uma vantagem valorosa neste cenário que vivemos. Este saber nos fortalece frente as mudanças das estruturas e processo de ensino, nos traz coragem para lidar com as incertezas e nos torna mais flexíveis e criativos na busca de soluções aos nossos desafios individuais e coletivos. Um percurso investigativo possível para que você descubra sua forma única de aprender pode começar com as seguintes questões:


- O que você entende por aprendizagem?


- Como seu corpo aprende algo novo? Quais movimentos e estratégias você usa?Como você aprendeu a andar de bicicleta por exemplo… ou a dançar….


- Quais os sentimentos envolvidos em seu processo de aprendizagem? Qual a experiência/sentimento de aprender algo que te agrada, e algo que te desagrada?


- Como você aprende quando o impulso motivador do inicio vem do sentimento de dever (tenho que tentar aprender isto, mesmo não gostando muito porque é necessário para que eu possa….), ou de um compromisso pessoal (comigo mesma), social, ambiental?


- Como e onde você busca informações quando se dispõe a aprender?


- Como é o ambiente ideal para que você aprenda algo? Um sala, um parque, um local iluminado, está sozinho ou acompanhado?


- Como você registra sua aprendizagem? Grava, cola, desenha, escreve?


Aprendizagem a favor da Vida


Estarmos mais conscientes de com aprendemos sempre foi uma estratégia inteligente para uma experiência de vida com qualidade. Agora, mais do que nunca, necessitamos redescobrir esta forma libertadora e autônoma de construirmos e ampliarmos o conhecimento individual e de ativar nossa inteligência coletiva.


A pandemia escancarou questões que tentamos de certa forma nos desviar há um bom tempo. Tentamos ainda seguir com velhas formas de pensar, de ser e de viver, MAS estas mesmas formas nos trouxeram até o momento presente.





Chegamos numa encruzilhada como espécie, ou abraçamos e resinificarmos nossa relação com as mudanças, desafios, incertezas, e entendemos que elas fazem partes e são desejáveis em nossa caminhada como eternos aprendizes, ou corremos o sério risco de adentrarmos em desafios a nossa sobrevivência cada vez mais complexos e cruéis.

Sem ignorar de forma alguma todas as dores que estamos passando, acredito que a zona de desconforto que desabou sobre nós, trouxe a enorme oportunidade de aprendemos como melhorar nossa comunicação, conexão, acolhimento e cuidado. E estes são pilares vitais para seguirmos a Vida agora com “V” maiúsculo que indica que acessamos uma escala acima na manifestação da sabedoria que permeia nossa preciosa Humanidade.


Ficam então o convite para que você investigue seu processo de aprendizagem, para que aos poucos comece a aprender a aprender e a (re)descobrir outras formas de Viver. Seguimos neste percurso juntXs, e nos encontramos em breve em mais um diálogo/texto para aprofundarmos esta investigação!


Referências pesquisadas


Valente, J. A. Aprendizagem continuada ao longo da vida, o exemplo da terceira idade. Disponível em https://fdocumentos.tips/document/aprendizagem-continuada-ao-longo-da-vida-jose-armando-valente.html. Acesso em 06/06/2020.


Por: Angela Shmidit

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