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As Trainees de Serendip


Era uma vez uma grande multinacional de produtos eletrônicos. Todo ano essa multinacional tinha um programa de trainees onde recém formados de universidades de primeira linha eram preparados para carreiras executivas dentro da companhia.


Dr. Giaffer, o CEO, tinha muito orgulho do programa e gostava de conhecer pessoalmente os trainees e saber quem era quem. Naquele ano, no costumeiro café da manhã com o CEO, perguntou quais eram as expectativas de todos após o término do programa.


Os trainees, como todo ano, responderam com os nomes das áreas em que pretendiam ser gestores e com as competências que poderiam agregar à companhia. Dr. Giaffer pensou “mais do mesmo”, porém foi muito simpático com todos e se despediu.


Porém Ana, Carol e Luciana, três das melhores trainees perceberam que o CEO não saiu feliz do café da manhã. Depois de muito pensarem, chegaram à conclusão que havia faltado a outra parte, a parte de conhecer melhor o dia a dia da empresa. Combinaram de fazer alguma coisa a respeito.


Ana queria trabalhar na área de logística, então foi ao RH e pediu para fazer um estágio de uma semana na expedição, no carregamento dos caminhões. Passou o primeiro dia localizando pallets, carregando e embalando caixas. No final do dia estava acabada. Foi para casa toda dolorida, e pensou “Isso não é vida para alguém com a minha formação!”. Mas no dia seguinte, ao ir trabalhar, foi cumprimentada pelos colegas como se fosse uma deles. Tomou junto o pão com manteiga e café com leite fornecido pela companhia, enquanto todos comentavam o jogo de futebol do dia anterior.


Carregar um caminhão não é uma tarefa simples, o peso precisa ser distribuído com precisão para que o caminhão não sofra acidentes no caminho. Mas ela podia ver o orgulho do seu Zé, o carregador mais antigo, a cada carga completa. Seu Zé comentou: - Menina, não tem nada melhor que um caminhão bem bonitinho, arrumadinho e eu que coloquei tudo no seu lugar!”. E Ana sentiu seu coração esquentar, percebendo que ter orgulho do próprio trabalho era uma das alegrias mais puras do mundo.


Carol queria trabalhar na área de responsabilidade social, então foi ao RH e pediu para fazer um estágio de uma semana em um dos projetos apoiados pela Serendip. O projeto era em um lar de idosos altamente dependentes, e Carol passou o dia dando banho, trocando fraldas, limpando e dando comida para os velhinhos. No final do dia, estava acabada. Foi para casa toda dolorida, e pensou “Isso não é vida para alguém com a minha formação!”. Mas no dia seguinte, ao ir trabalhar, encontrou entre os idosos sua própria babá, com quem a família havia perdido contato. E passou o dia fazendo para a babá exatamente aquilo que a babá havia tantas vezes feito para ela. E ao olhar nos olhos da babá e lembrar de todo o carinho com que era tratada, Carol sentiu seu coração esquentar, percebendo que bondade era uma das alegrias mais puras do mundo.


Luciana queria trabalhar na área comercial, então foi ao RH e pediu para fazer um estágio de uma semana em um dos clientes da Serendip. Foi enviada a uma pequena fábrica de luminárias, que comprava leds da Serendip para montar seus lustres e plafons. No primeiro dia foi trabalhar na produção e percebeu como a maneira como a Serendip entregava seu produto impactava no trabalho do cliente. Percebeu também um rapaz, filho do dono, muito cabeludo, com uma franja enorme no rosto e que trabalhava quieto, sem falar com ninguém. Foi para casa toda dolorida, e pensou “Isso não é vida para alguém com a minha formação!”. Mas no dia seguinte foi convidada para almoçar com os colegas e viu o respeito com que o rapaz era tratado. Na volta do restaurante para a empresa bateu um vento e levantou o cabelo do garoto. Luciana então percebeu que a franja era para cobrir uma horrível queimadura. Ela não pode evitar o espanto, mas outro colega imediatamente falou: “Ele tem essa queimadura porque na época das lâmpadas tradicionais teve um curto-circuito que gerou um enorme incêndio na fábrica. Ele tirou todo mundo de dentro e salvou todos os produtos prontos que podia antes dos bombeiros chegarem. Graças a ele, estamos vivos e com emprego. Agradecemos a cada uma dessas cicatrizes. E Luciana sentiu o coração esquentar e percebeu que a gratidão era uma das alegrias mais puras do mundo.


Ao final da semana os estágios terminaram e o Dr. Giaffer, muito curioso com o inusitado projeto das meninas, mandou chamar as três:


- O que vocês aprenderam?


- Aprendemos que existem coisas mais importantes do que teorias de gestão e nomes gourmetizados para coisas óbvias.


E cada uma contou sua história. Conforme iam contando, o sorriso de Giaffer ia se abrindo:


- É isso mesmo! Vocês acabaram de descobrir três condições para a serendipidade, o segredo do sucesso da Serendip. Tendo orgulho do próprio trabalho, bondade e gratidão coisas boas acontecem à sua volta, mesmo que aparentemente sem relação nenhuma com nada. Quero as três trabalhando comigo de agora em diante! E durante toda a vida, as três jamais perderam o contato com quem estava na ponta de qualquer cadeia.


E você, caro leitor? Como você atrai a serendipidade para a sua vida? Conte nos comentários...


Por: Pá Falcão

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