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Caminhando pela Comunidade



Ando sentindo falta de uma tal comunidade, uma comum humanidade, unidade. Sentindo tanta falta … resolvi relatar para vocês alguns caminhos, aprendizados pelo território da Vila Novo Ouro Preto, em Belo Horizonte. Local que investi quase 10 anos da minha vida e que me transformaram para viver. Na lembrança momentos mágicos e diversos que resolvi compartilhar. Instantes que ficaram impressos em minha alma, que reescreveram o meu olhar. Desejo caminhar pelo mundo, para encontrar outros locais, pessoas e cuidados que façam os meus olhos brilharem, o coração pulsar e os músculos vibrarem para uma nova ação concretizar, sonhar. Resgatar um pouco do que vivi por lá.


Essa semana foi aniversário de uma pessoa muito querida, que conheci lá, a Santa Íris, aprendi muitas coisas com ela. Por exemplo, toda vez que estou frustrada com algum plano que não saiu como o planejado, lembro-me de um certo dia...


Conheci a Íris em uma oficina de empreendedorismo para a comunidade. Naquela época ela fazia pães altamente sofisticados. Estávamos fazendo cálculos de custos e por um instante percebemos que os valores que ela estava comercializando não eram suficientes para cobrir todos os custos. Ao terminar as contas e virar para ela percebi a frustração em seu olhar. Aquilo me sensibilizou de uma forma extremamente profunda, imediatamente pensei: Simone, o que você está fazendo? Que direito você tem de trazer a frustração para a realidade? Não pensa na consequência de seus atos? ...


A atividade daquele dia acabou e fui acompanhando a Íris até o portão, com todas essas emoções em minha cabeça e tentando falar com ela que iríamos pensar em alternativas para a próxima semana. Ela foi se encontrar com a filha em seu trabalho. Eu fiquei ali no portão paralisada, angustiada, pensando em tudo que tinha acontecido. Estava aérea, divagando até que a Íris bateu em meu ombro, acho que uns 10 minutos depois do fim da atividade. Olhei para ela, a tristeza devia estar impregnada em meu olhar. Porém, no seu rosto tinha um sorriso, de um canto ao outro da boca. Sabe aqueles sorrisos grandões, que não cabem dentro da gente? Ela estava assim, bateu em meu ombro e falou: não se preocupe professora eu já tenho uma solução. Já sei o que fazer com a minha empresa, na próxima aula eu te conto. Assim ela se foi…


Nem preciso falar que fiquei o resto da semana na expectativa de chegar ao nosso encontro. Enfim … e aí Íris como irá resolver a questão da sua empresa? Já resolvi Simone. Ao sair daqui fui buscar minha filha e descobri que a prefeitura não iria mais fornecer almoço para os funcionários da escola. Portanto, resolvi aproveitar a minha casa que é aqui do lado e a transformei em um “restaurante”. Já fiz as contas e é viável … em pouco tempo ela estava servindo em sua própria casa mais de 20 almoços por dia.


Essa é só uma das lições que eu aprendi com a Santa Íris, em breve relato outras. Sabe o que ficou martelando na minha cabeça? Quem era a professora ali? A Iris me ensinou muitas coisas naquele dia:


Como desapegar dos produtos ou linhas comerciais que não estão dando certo e criar o novo. Como criar o novo e manter o propósito do seu negócio, mesmo fazendo mudanças radicais (Como boa mineira, a Íris sempre desejou nutrir as pessoas com suas comidas, ou seja, manteve o seu ideal olhando por outra perspectiva). Como repensar a utilização dos recursos disponíveis, uma verdadeira economia compartilhada de criar novos usos para a casa que já existia. Como perceber as demandas do mercado e criar formas de atendê-las.


Enfim, aprendizados e mais aprendizados que me levam a acreditar que: A vida se faz no conectar! Conte para mim qual é a lição que você leva dessa história? Gratidão amiga Íris por existir em minha vida, que tenha muitos e muitos anos de vida para inspirar outras pessoas com essa disponibilidade que você tem e que encanta.


Por: Simone Catalan

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