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Ciclismo, mobilidade resiliente e sustentável


O enorme desafio posto pela pandemia, tem permeado as reflexões e investigações atualmente, gerando uma revisão posições, conhecimentos, incertezas e escolhas com este olhar de ser que vive a crise do COVID-19 e supõe mundos pós-COVID-19.


Uma das escolhas antigas e um tanto consolidadas é sobre o ciclismo como forma de mobilidade. Pensar sobre isso tem ganhado muito sentido no contexto atual que percebo. Em seu artigo para o Observatório das Metrópolis, Juciano Rodrigues segue uma linha convergente. Ele coloca que :

Nesse momento, quando cidades do mundo inteiro se colocam perante o desafio de enfrentamento de uma pandemia sem precedentes, com efeitos sanitários e econômicos já sentidos, mais uma vez, a bicicleta aparece como parte econômica e socialmente viável das soluções. Falta romper as barreiras políticas.

Tendo a Sustentabilidade e o Cuidado com a Vida como refrão de meu sentir, pensar e agir, a conexão entre estes dois temas com Mobilidade e Ciclismo se apresenta de forma clara para mim.


Ao considerar esta forma de deslocamento que, para muitos brasileiros e brasileiras, não se destina somente as praticas de lazer, trago para minha vida pessoal e para as ações da La durabilité (empresa que criei com foco em educação e sustentabilidade) uma oportunidade de exercitar ações conscientes e cotidianas.


O que já fazia sentido como escolha individual e como estratégia de política pública de mobilidade para cidades mais sustentáveis, ganha agora no contexto de pandemia e pós pandemia, uma força e significado ainda maior.


O ciclismo traz em seu mundo muitos elementos importantes, estratégicos e táticos para enfrentarmos a situação complexa que atravessamos. Para citar alguns pontos: uma forma de lidar com a questão do distanciamento social, uma alternativa para a crise dos meios públicos de transporte, a redução no custo de deslocamento, o acesso a pontos mais remotos da cidade onde o transporte público não chega, isso pra falar de coisas mais diretas.


De forma sistêmica, a cultura de bicicleta permite rever vários pontos do modelo urbano insustentável predominante em nossas cidades brasileiras. A mobilidade que inclui o ciclismo questiona o asfaltamento massivo e a impermeabilização do solos, a saturação de automóveis de todos os tamanhos e as estruturas que eles demandam, a dependência tóxica de combustíveis fósseis e dos “ditos” combustíveis ecológicos com o etanol em nosso país, os impactos sócioambientais do ciclo de produção de veículos, dos combustíveis e das substâncias emitidas (poluição do ar por exemplo), e tantos outros processos e produtos insustentáveis. Esta forma centrada nos “carros” e seu mundo tem importante contribuição para o estado delicado e arriscado que estamos agora como humanidade.


E, por fim, olhando para o cuidado na dimensão pessoal, para muitas pessoas que adentraram por algum tempo o “mundo” das bicicletas, foi possível vivenciar o pertencimento e apoio da comunidade ciclista, a experiência de se deslocar pelas cidades em outro ritmo e as descobertas e conexões que isso proporciona, a alteração de hábitos alimentares que acompanham o pedalar, os resultados físicos sentidos e celebrados pelo nosso corpo que em muitas vezes é colocado inerte no cotidiano de trabalho e casa. Ser um ciclista urbano nos abre para outros estilos de deslocamentos e viagens possíveis, e tantas outras nuances que vão se desdobrando desta simples e poderosa opção que é andar de bicicleta.

Pensar sobre mobilidade, resiliência e sustentabilidade é mais uma das provocações que a CODIV-19 nos coloca de forma explícita. Somar a esta reflexão a possibilidade da bicicleta com parte da solução, gera um cenário onde temas importantes como saúde, mobilidade urbana e qualidade de vida passa a ter um lugar central.


Partindo de minha vivência ao longo de 5 anos como ciclista urbana, digo que vivi na pele o grande potencial de acolhida e cuidado da rede que nasce em torno do ciclismo, e como tudo isto torna real a experiência de cidadania e nos coloca no caminho do paradigma do cuidado.


Fica aqui um convite sincera para que se você puder, quando puder, experimente esta forma única de deslocamento, as experiências que ela proporciona em muitas dimensões de nossa vida pessoal, de nossas escolhas como sociedade e os efeitos no Cuidado com a Vida de todos que partilhamos o mesmo planeta Mãe.


Para conhecer um pouco mais sobre o ciclismo e seus desdobramentos no cotidiano deixo aqui algumas indicações, só o início, um convite para o mundo dos pedais :))


Mobicidade - Associação Pela Mobilidade Urbana em Bicicleta  -  é uma associação de pessoas que lutam e defendem o desenvolvimento de uma cidade mais humana, focada em políticas públicas que beneficiem não apenas o trânsito de bicicletas, mas todos os modais não motorizados https://www.mobicidade.org/


União de Ciclistas do Brasil  -  UCB atua organizando as informações das entidades associadas, realizando eventos e propondo discussões sobre a temática da bicicleta e mobilidade urbana https://uniaodeciclistas.org.br/


Canal do amigo Emerson Fritzen, contando sobre a vida de quem pedala e suas cicloviagens https://www.youtube.com/channel/UCJTPmy2PZGhcTn_caInMYYA


Referências

Artigo no Observatório da s Metrópolis: https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/o-ciclista-do-novo-normal-ja-existe-a-cidade-e-que-vai-ter-que-mudar/?fbclid=IwAR0i86d9wOnKnEYHhGkER088ZZngWCdnOQPKQhN9NKYK6m8Osy42yohCBI8 Por: Ângela Shmidit


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