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Desafios à gestão de resíduos eletrônicos


Neste artigo vamos refletir um pouco sobre os desafios enfrentados por empresas e instituições que fazem uso de eletrônicos. Há décadas nossa sociedade moderna experimenta de forma exponencial o desenvolvimento de tecnologias e equipamentos eletrônicos que as tornam reais e acessíveis. Nosso momento atual de pandemia, exacerba o mundo digital e todo o seu universo, onde certamente equipamentos e apetrechos ganham destaque. A constante renovação tecnológica torna anualmente obsoletos e descartáveis um enorme volume de computadores, monitores, componentes e diversos equipamentos que passam a ser tratados como resíduos eletrônicos.


Seja qual for o tamanho e atuação de uma empresa, instituição ou negócio, uma vez que o resíduo surge despontam duas formas de olhar para ele: como problema, que acarreta trabalho extra, cobranças e até mesmo multas e prejuízos, ou como oportunidade, para implantar ou ampliar a visão de gestão estratégica dos materiais e resíduos gerados.


Para nós é claro que a melhor das estratégias de gestão de resíduos é a sua não geração. Criar e fortalecer esta visão do mundo é essencial a nossa sobrevivência e a qualidade de vida em todo o planeta. Para uma reflexão sobre estes tema indicamos outros artigos deste blog:


A experiência do novo consumidor” do colega de blog Reinaldo Rachid

Vale quantos Chicletes?” e “Economia Donut” da colega de blog Pá Falcão

Consumo Consciente” da Conselheira convidada Isabela Sobreira

O que cabe dentro da Sustentabilidade Warpando”, um texto de minha autoria.


Retomando o olhar de desafios, começando pela via problemática, nos deparamos com a carência de um sistema estruturado, que receba todo esse descarte. A realidade é que grande parte vai parar no mercado informal, no qual os equipamentos são por vezes operados por agentes sem o devido treinamento e sem nenhum equipamento de segurança. Muitos desses equipamentos que poderiam ser reaproveitados são enviados direto à reciclagem, passando por armazéns sem o devido licenciamento e ignorando as medidas corretas para reduzir os riscos de contaminação ambiental.


Para piorar, há situações em que não se faz mais do que triturar o material e exportá-lo de maneira ilegal para países com ainda menos regulamentação e fiscalização.


Desafios também são postos pela questão de responsabilidade socioambiental. A crescente exigência legal de uma gestão sustentável, fruto da criação, em 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei nº 12.305/10), ganhou reforço com o recente Decreto nº 10.240, de 12/2/2020, que inicia a contagem do prazo para a implementação de um sistema de logística reversa de produtos eletroeletrônicos. Segundo este o Brasil tem até 2025 para implantar 5 mil pontos de coleta e destinação de lixo eletroeletrônico, espalhados por 400 cidades, que concentram 60% da população.


Pela via da oportunidade, encontramos no surgimento do resíduo eletrônico um chamado à reflexão sobre o consumo e o processo produtivo sob a ótica da sustentabilidade. Aqui entram referenciais como da logística reversa, da responsabilidade socioambiental, da gestão socioambiental estratégica e da educação ambiental. Esse olhar provoca uma leitura crítica de todas as implicações da atividade da organização e dá elementos para que se opte por uma postura preventiva e proativa frente aos desafios do descarte de equipamentos.

Acreditamos no valor de um processo de Gestão Sustentável dos Resíduos Eletrônicos, que, tomando como base a PNRS, articule uma rede de parcerias institucionais para o descarte e reuso social de equipamentos de informática e também a execução de ações socioeducativas. Pensamos em uma abordagem que parte de um Plano de Gestão dos Resíduos Eletrônicos e é suportada por uma rede multi-institucional formada por instituições geradoras dos resíduos, instituições que recebem os equipamentos ainda em condição de uso e que atuam nas áreas social, ambiental e cultural e instituições recicladoras regulamentadas para atuação na reciclagem, desmontagem e destinação final.


Os processos de gestão são implementados através de atividades focadas no descarte sustentável e ações socioeducativas que acontecem na empresa ou instituição em 2 frentes de ação: formação de agentes multiplicadores internos e palestras e oficinas socioeducativas.


A questão dos resíduos eletrônicos é grave e crescente. Este imenso desafio chega de forma cada vez mais intensa à empresas independente de suas características, pois o uso dos eletrônicos já entrou de forma irreversível em nosso cotidiano. No Brasil, de acordo com Relatório do projeto Global E-waste Monitor 2020 são gerados em média 10,2 kg/ano de resíduo eletroeletrônico por habitante (fonte https://globalewaste.org/statistics/country/brazil/2019/). Temos um grave descompasso de gestão de resíduos, de forma geral, segundo a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) são reciclados somente 3% dos resíduos gerados de forma total.

Os resíduos eletrônicos, devido a sua complexidade de composição e logística reversa, são uma parcela ainda menos deste percentual reciclado corretamente.


Acreditamos que cada setor da sociedade exerce algum impacto e, por isso, tem seu papel de responsabilidade. Sociedade civil, poder público e o setor privado podem e devem olhar com atenção para esse desafio da gestão sustentável dos resíduos eletrônicos, buscando uma solução viável para todos e visando ao bem comum.


Por: Ângela Schmidt

Este artigo está relacionado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)



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