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DIÁLOGO E CONFIANÇA FORTALECENDO A COLABORAÇÃO




Colaboração é uma das palavras mais faladas, mencionadas, debatidas e citadas neste ano em inúmeros contextos, evidentemente por causa da pandemia que nos assola. No aspecto profissional, é uma das competências essenciais para o líder moderno. Em um dos artigos publicados aqui no blog, o Surfista Interdimensional Reinaldo Rachid definiu os aspectos relevantes da competência Colaboração como “gerar abundância por acordos de responsabilidades individuais em prol de um propósito comum, quebrando silos organizacionais, promovendo o diálogo, o respeito mútuo e a confiança entre as pessoas”. Quero frisar a palavra diálogo e convidar você a uma reflexão: é possível falar em diálogo no âmbito profissional desconectado das experiências pessoais?


O modo como dialogamos com o outro começa dentro de nós. O ato de ouvir depende mais do que se passa na cabeça do ouvinte do que da qualidade do estímulo que chega a nossos ouvidos. Existe um diálogo interno sempre presente, um grande ruído, o filtro por onde passam ou não os estímulos até que atinjam os centros de audição, percepção e compreensão do que está sendo dito. Observe: enquanto você lê esse texto, seu cérebro continua a “falar” com você. Seja concordando ou discordando do que eu escrevi, lembrando de onde você já ouviu falar nisso, se perguntando “Porque estou lendo isso mesmo?”, essa conversa interna acontece, e na maioria das vezes, nem percebemos.


O segredo da atenção plena, de uma boa escuta, está na capacidade de reduzir o diálogo interno. É preciso intensificar a auto percepção do momento, estar consciente de nossas emoções enquanto outro fala. Ao desenvolvermos a inteligência emocional, ampliamos a capacidade de monitorar os sentimentos próprios e alheios, e de usar essa informação para orientar o pensamento e os comportamentos. Nosso vozerio interno nos dá pistas importantes do que sentimos naquele momento de escuta, podendo ser administrado para atualizar conceitos, ocupações e sentimentos, ao invés de ser carregado de preconceitos, preocupações e ressentimentos.


A comunicação saudável envolve autoconsciência das nossas necessidades e sentimentos, gerando a conexão com o outro. O psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, em meados da década de 1960, desenvolveu uma abordagem denominada CNV – Comunicação Não Violenta, amparada por quatro princípios básicos:


• Distinção entre observação e juízo de valor

• Distinção entre sentimentos e pensamentos

• Distinção entre necessidades (ou valores universais) e estratégias

• Distinção entre pedidos e exigências/ameaças


É a proposta de um novo olhar sobre a maneira que nos relacionamos com o outro, com o mundo e principalmente com nós mesmos. A comunicação assertiva, ou diálogo corajoso, ocorre ao observar o fato sem julgamento ou interpretações; refletir e perceber os sentimentos e necessidades, identificando formas de atendê-las; e se expressar de forma adequada para o outro.


Para Marshall, a CNV possui como fundamentos a escuta ativa, o diálogo e a empatia. Praticar a empatia num processo de comunicação é ouvir sem interromper em 90% do tempo e usar os 10% restantes para parafrasear. Ser ouvido é uma necessidade básica do ser humano: antes de respirar, o bebê sabe ouvir e o ouvir é a última habilidade que se desliga na mente. Parafrasear (“eu estou entendendo que...”) é diferente de repetir a mensagem (“isso significa que...”). Quando você repete a mensagem, você está indo de encontro ao entendimento das palavras, pensando à frente do tempo, dando espaço à sua voz interior – que ficou ruminando o que você diria logo que o ouvinte se calasse. Ao parafrasear, você tem um fôlego extra para entender e elaborar o que ouviu, e construir sua resposta para o interlocutor. Mas não basta estudar e aplicar os princípios da CNV se não houver autenticidade. Devemos ser honestos ao dialogar, falando a partir de nós mesmos. A autenticidade é essencial para que possamos falar o máximo de verdade com o máximo de cuidado.


Tudo isso tem a ver com a confiança entre as pessoas, as últimas palavras da definição dos aspectos da Colaboração citadas no 1º. parágrafo. As pessoas tendem a confiar mais em você quando acreditam que estão interagindo com o seu verdadeiro eu, confiando em seu interesse genuíno, sentindo que você se preocupa com elas. Quando há quebra de confiança, a causa é quase sempre a falta de empatia ou autenticidade, e geralmente é o mesmo agente que fraqueja em nós.


O líder que cultiva o diálogo e a confiança na relação com sua equipe estimula as pessoas a se tornarem colaborativas, produtivas e engajadas. Uma das grandes tarefas de um líder é ajudar as pessoas a perceber sua capacidade de realização em prol do propósito maior e, quanto mais confiança houver, mais fácil será praticar esse tipo de liderança. Trazer segurança psicológica para a equipe cria um ambiente propenso a pertencimento, no qual os colaboradores podem expressar suas idéias. Com a escuta ampla, as idéias de todos são bem vindas, as chances de co-criação e inovação aumentam. Ao estimular o diálogo e a transparência na comunicação, o líder favorece a compreensão das pessoas nas decisões, propiciando o entendimento do seu papel no todo, aumentando assim o engajamento e a vontade de colaborar.

Artigo escrito pela Conselheira: Isabela Sobreira

Isabela Sobreira é partner da RAIDHO e possui mais de 21 anos de experiência em consultoria em Gestão de Negócios e Pessoas. Começou sua carreira de consultora na Falconi, por onde chegou à liderança de importantes projetos em grandes clientes no Brasil e no exterior. Atuou também no setor do agronegócio como consultora de gestão e como gestora de informação estratégica e inteligência de mercado. Foi responsável pelo planejamento estratégico da Unimed-BH, consolidando-se como especialista nesta área.


Mestre em Ciência da Informação, pela UFMG, possui MBA Executivo pelo Ibmec Business School e formação em Design Organizacional. Também é professora de Gestão Estratégica no IBMEC In Company.


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