• Equipe wwwarpando

Forrest Gump na pandemia

Em maio de 1998 eu tive a oportunidade de vivenciar um Congresso Internacional pela primeira vez. Estava eu lá... em São Francisco - USA, participando do que era chamado na época de ASTD Conference (American Society of Training and Development Conference). Muita gente! Aqueles senhores e senhoras que eu conhecia por livros, eu iria ver “ao vivo e a cores” em suas palestras... A agenda cheia! Meus olhos e ouvidos super abertos e parecendo esponjas, sugando tudo o que estava ao meu redor! Além das palestras, uma enorme feira com fornecedores dos mais diversos sistemas, modelos e “traquitanas” para tentar garantir o engajamento e a aprendizagem dos treinandos. Existia também o apelo turístico da cidade. Um charme pegar o “Cable Car” para ir para o centro de convenções, com um copo de café na mão!


No segundo dia do congresso, eu já tinha entendido o esquema da agenda e já tinha marcado algumas reuniões com fornecedores para o dia seguinte. Antes de dormir estava arrumando meu cronograma. Foi aí que eu vi, no catálogo do evento, que existia uma sessão, no dia seguinte, que se chamava “Early Birds Breakfast”, que em claro português, era uma palestra bem cedo, para os congressistas que tinham caído da cama e/ou não desfrutado da agitada noite de SanFran. “E num é que o tema é bom? Vou encarar!” – pensei...


No dia seguinte, lá fui eu... Você deve estar curiosx sobre o tema, né? Uma palestrante linda, com jeito de fada, se apresentou para os não mais de 10 “gatos pingados” que lá estavam e iniciou sua palestra: “Once upon a time...” (para quem não conhece – isso significa “Era uma vez...”). Juro que busquei o livro e o nome dela para compartilhar com vocês, mas não encontrei.


A palestra era sobre o poder das estórias na aprendizagem. Ela defendia que, toda vez que alguém inicia uma frase com “Era uma vez...”, o interlocutor, que está escutando, muda a frequência de suas ondas cerebrais para uma que facilita a aprendizagem. Acho que não cabe aqui discutirmos as questões biológicas, fisiológicas e de neurociência que explicam o fenômeno, porém, acho interessante dizer que, para mim, aquilo era uma novidade e que este acaso iria mudar minha forma de ministrar treinamentos.


Anos e anos se passaram... Eu introduzi a “contação de estórias” no meu trabalho! Ou nos workshops, convidando as pessoas a contarem seus feitos e aprendizagens, ou nos comunicados e apostilas que eu escrevia para meu público interno e alunos, nos diversos cursos que dei na vida. Sim! As pessoas gostavam de ler, ouvir ou contar suas passagens e diziam que isso as remetia a viver e sentir de novo aquele fato e as lições que tiraram daquilo tudo. Neste meio tempo, conheci Ilan Brenman, que nos ajudou a fazer uma linda convenção de vendas onde entregamos para os profissionais, o planejamento estratégico da empresa e as competências, em forma de histórias e contos de fadas. Foi Demais!


Quando estou fazendo mentoria de carreira com profissionais, sempre os estimulo a “convidar a SARA” para quando estiverem contando, até mesmo em entrevistas de emprego, suas conquistas e contribuições. E quem é a SARA? Não é uma pessoa e sim uma sigla: Situação/Ação/Resultado/Aprendizagem. Conte sua história descrevendo qual era a situação que vc estava vivendo, quais ações você tomou, que resultados você obteve e o que você aprendeu com isso, para levar para o futuro...


Talvez você já tenha escutado alguém falar sobre “storytelling”. Tudo se conecta e os temas vão ganhando mais embasamento e prática. Com a contação de estórias não é diferente!


Storytelling acaba, então, sendo um modelo estruturado. Conforme a Rock Content: “é a arte de contar histórias usando técnicas inspiradas em roteiristas e escritores para transmitir uma mensagem de forma inesquecível, que encante o interlocutor. (https://comunidade.rockcontent.com/storytelling/).”


Na era da promoção da experiência, esta metodologia ganha força, não só para a aprendizagem, mas também para as iniciativas de marketing.


Estou fazendo um curso sobre isso com a Flávia Gamonar e o Bruno Scartozzoni, e tenho aprendido com eles que storytelling tem a ver com emoção (transmitir e gerar sentimentos nos seu interlocutores), memória (pessoas se lembrarão mais de você através de suas histórias contadas) e valor (uma caneta bic é vendida por 2 reais, mas se você contar uma história, que envolva o uso desta caneta, pesquisas mostram que ela foi comprada por mais que o dobro)

O que vejo e estou aprendendo no curso e na vida é que as pessoas se reconhecem nas histórias, umas das outras, trazendo para o explícito, a empatia e a inspiração, tão necessárias no mundo de hoje! Não são raras as frases “Pôxa, eu já vivi isso!” ou “Você está me dando um exemplo de que é possível e sou capaz!”

Finalizo aqui, além dos nomes técnicos de sistemas, modelos, metodologias e o que for, perguntando: “Quais histórias você vai contar no futuro sobre o que você viveu neste momento de Pandemia e reclusão?” “O que você aprendeu para poder compartilhar?”


E lá vão as menções às “Mil e uma noites” e ao maravilhoso Tom Hancks em “Forrest Gump”! Senta que lá vem história...


Por: Lígia Mardiression

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