• Equipe wwwarpando

O Planeta e os Humanos - Um Thriller de Pessach


Era uma vez um lindo planeta azul. Este planeta tinha um pouco de todos os tipos de relevo e clima, dentro da faixa que poderia ser habitada por vidas baseadas em carbono. E as vidas foram geradas: vegetais, animais, unicelulares, em outros planos, toda uma maravilhosa variedade que assegurava paisagens magníficas, todos os tipos de formatos e experiências, e uma beleza e diversidade únicas naquele sistema solar.


O planeta acreditava na economia de energia, e para criar esta imensa diversidade havia criado o que ele chamava de modelo evolutivo, começando com algumas pequenas reações químicas que iam se tornando gradualmente mais complexas conforme se provavam eficazes. E as criaturas apareciam. Milhões de anos, para o planeta não eram nada. E ele observava admirado tudo o que ele mesmo havia gerado.


Até que, um dia, uma coisa nova aconteceu: algumas espécies começaram a desenvolver inteligência. Alguns milhões de anos depois duas dessas espécies eram as mais inteligentes. Uma, na água, os chamados cetáceos. E outra, na terra, os chamados humanos.


Os cetáceos, os mais inteligentes de todos, dedicavam a vida a se divertir no mar e em alguns rios. Logo aprenderam as leis básicas da cooperação e da economia de energia. Dedicavam suas vidas a se divertir e se defendiam das ameaças sempre de uma maneira colaborativa.


Os humanos eram um pouco mais burros. Habitavam a terra, e por serem inteligentes e conseguirem construir traquitanas para facilitar a própria vida, se consideravam donos de tudo o que os rodeava.


No começo, como todas as outras espécies, os humanos usavam os recursos do planeta para sua sobrevivência, e o planeta estava tranquilo com isso. Mas logo, começaram a extrapolar a noção de sobrevivência. Queriam armazenar coisas, no início para sobreviver em tempos difíceis, mas logo em seguida para mostrar a outros humanos que eram melhores que eles.


Começaram a conquistar, matar e escravizar uns aos outros. Construíram plantações, pastos, cidades e se juntaram em grandes grupos que quebravam a harmonia dos locais do planeta onde se encontravam. Alguns queriam usar a inteligência para compreender o universo, mas a maioria usava para tentar ser mais e ter mais que os outros.

O planeta começou a ficar desgostoso, mas tinha recursos suficientes e quando os humanos abandonavam um local em pouco tempo ele se recompunha. E os humanos foram se proliferando, como bactérias em uma cultura. Sempre trazendo guerra, fome, sujeira, violência e devastação. Uma vez ou outra algum humano fazia uma coisa maravilhosa, compunha uma música, pintava um quadro, descobria uma lei natural, e o planeta recuperava sua esperança na espécie.


Mas esses eram poucos, perto de uma maioria ignorante e embrutecida. Até que, em um determinado momento, os humanos inventaram duas coisas: a indústria e capitalismo. Isto piorou exponencialmente as coisas.


O planeta não conseguia mais se recompor. Foi ficando sujo, poluído, vários cetáceos morreram pois nunca tinham investido sua inteligência e seu tempo em construir traquitanas inúteis como navios de pesca, mas estes eram mortais e impossíveis de se defender.


O planeta foi se irritando. Várias de suas espécies foram extintas pelos humanos. Vários componentes de sua geografia danificados, seja por poluição seja por extração. O pior de tudo é que esses humanos faziam tudo isto e não eram felizes. Eram incapazes, com sua limitada inteligência, de perceber que a destruição física, emocional ou moral de outros seres vivos não trazia felicidade. Sempre achavam que conseguindo mais, seriam felizes.


O planeta sabia que tinha que fazer alguma coisa. Apostou na simplicidade. Enviou um simples vírus. Um organismo que nem era considerado vivo, apenas um monte de proteínas. E os humanos começaram a morrer como moscas.


Para se proteger, precisaram parar tudo e ficar em suas casas, pois o simples contato com outros humanos espalhava o vírus, infectando e matando indiscriminadamente. E, quando tudo parou, o planeta pode finalmente começar a se recompor.


E os humanos observaram assustados animais e plantas voltando aos seus lugares, rios ficando limpos, céus sem poluição, com cores magníficas. Puderam perceber o silêncio e a algazarra que seu estilo de vida gerava.


Mas nada disso sensibilizou os humanos. Afinal, havia uma coisa chamada economia. Eles tinham que acumular mais. Na primeira trégua voltaram a fazer exatamente o que faziam antes, com algumas precauções. A natureza voltou a ser depredada. Os meios de produção faziam tudo para continuar funcionando, mesmo com todos os sinais do planeta que estava na hora de mudar.


O planeta mandou variantes do vírus. Muitos países escolheram voltar a se recolher, mas a maioria não. Os humanos insistiam em sair, não acreditando no perigo e na ameaça. Mais e mais gente morria, os hospitais lotados.


O planeta não tinha muita memória, mas lembrou que pouquíssimo tempo atrás, cerca de 3.500 anos, havia tentado avisar alguns humanos que estavam escravizando outros. Foi em um local chamado Egito, e esses escravos queriam apenas sair de lá.


O planeta resolveu ajudar e mandou 10 pragas. Mas os humanos não cediam. Só cederam, e libertaram o outro povo, quando o planeta mandou um anjo que matou o filho mais velho de cada família. Mesmo assim, libertaram o outro povo, mas logo mudaram de idéia e foram atrás, e o planeta teve que afogar a todos no Mar Vermelho.


Agora, o planeta está pensativo, estudando o que vai fazer. Mas cada vez mais tem certeza que os humanos só pararão e acreditarão que tudo tem que mudar quando houver um morto em cada núcleo familiar...


Por: Pá Falcão

Leia mais







O Tão do Bani - Pela Pá Falcão











Visita a San Andreas, Califórnia - Pela Lígia Mardiression











Onde a Comunidade pode nos levar? - Pela Simone Catalan

117 visualizações0 comentário