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O Tao do BANI

O Tao do BANI - (ou como viver bem em 2021)


Fidélia era uma aranha ordeira e trabalhadora. A perfeição de suas teias causava inveja a toda a comunidade aracnídea e Fidélia muito se orgulhava disso. Sabia que mais na periferia da floresta existiam aranhas não tão privilegiadas, que não encontravam galhos de árvores para fazer teias e tinham que se esconder embaixo de pedras, caçando qualquer comida que encontrassem. Fidélia ficava triste, mas logo esquecia do assunto pois em sua teia havia sempre moscas enroladinhas, no ponto para serem devoradas.


Estava Fidélia levando pacatamente a sua vidinha quando começou a ouvir falar de um bando de beija-flores malvados que estava nos limites da floresta comendo as aranhas e destruindo suas teias. No começo, Fidélia e suas amigas não acreditaram, até que começaram a perceber os pássaros. Não dava para ver até eles estarem em cima, pois voavam muito rápido! O jeito foi cada uma se refugiar no oco dos troncos, em um ninho vazio, ou no buraco mais próximo. Só que aí as aranhas não conseguiam cuidar das teias, que foram se degradando e passaram a pegar cada vez menos insetos.


Fidélia ocasionalmente precisava sair do buraco onde se escondia, mas saía rezando pois muitas de suas amigas já tinham sido comidas por sair de suas tocas. Ela, que sempre foi uma aranha feliz e bem cuidada, começou a ficar cada vez com mais medo. Seu humor alternava entre não querer sair do buraco e querer sair de qualquer jeito. Tinha pouca comida e saudades das amigas. Deixou de se cuidar. Foi ficando depressiva. Dormia na maior parte do tempo. Sonhava, mas na maior parte das vezes eram pesadelos, não sonhos agradáveis.


Num desses sonhos estava andando por uma floresta encantada e encontrou Aragog, a aranha gigante cultuada por todos os aracnídeos. No sonho, Fidélia encostava seus palpos nos de Aragog e recebia uma mensagem telepática:


“Cara amiga, chamei você aqui para que você saiba que está vivendo em um mundo BANI, denominação dada pelo antropólogo humano Jamais Cascio para quando o mundo se torna frágil (brittle), ou seja, quando tudo pode ruir a qualquer momento, ansioso, quando todo mundo está vivendo no limite quase que o tempo todo, não linear, porque as coisas parecem acontecer de uma forma desconectada, e incompreensível, pois não entendemos muito bem o que está acontecendo e as respostas que buscamos não fazem sentido. “


Realmente, tudo está muito caótico e eu não estou aguentando mais isso, pensou Fidélia. Olhou nos olhos de Aragog, se emocionou e mentalmente perguntou o que fazer.


“Minha querida, há milhares de anos os humanos da China descobriram o Tao, o todo, composto de duas partes: o yin, o passivo, receptivo e voltado para dentro, e o yang, o ativo, energético e voltado para fora. Cada uma das 4 características do BANI pode ser trabalhada com seu Tao: a junção de uma habilidade voltada para dentro de você e outra voltada para fora.


Veja a fragilidade: a competência voltada para fora é a resiliência, nossa capacidade de gerenciar as adversidades. Claro que tem mil coisas yin, para dentro, em resiliência, mas usamos nas atitudes pra fora e práticas do dia a dia. Já a competência yang é a liberdade. Falo em competência porque não é a liberdade em si, você não está com liberdade para ir e vir. Mas você pode se sentir livre se conseguir se desapegar das coisas antes que elas desmoronem.


Já na ansiedade, a competência yang, voltada para fora, é a empatia, por você mesma e por todos que estão à sua volta. E a competência yin é a atenção plena, a capacidade de manter seu foco físico, emocional e mental no momento e em cada tarefa que você executar.


Para a não linearidade precisamos da flexibilidade ativa, para fácil adaptação e da visão do contexto, para saber aonde ir naquele momento.


E, finalmente, para lidar com o incompreensível você vai precisar de transparência, compartilhando sempre as suas descobertas, e de acreditar na sua intuição, pois mesmo que você não compreenda o que está acontecendo a sua alma de aranha, sua parte mais sábia, compreende.


Exercite essas oito competências. Faça um diário e anote suas descobertas sobre si mesma. Verá como vai se sentir melhor!”


Fidélia agradeceu Aragog, soltou os palpos e imediatamente acordou. Teceu um diário, onde passou a anotar suas descobertas sobre o Tao do BANI. Passou a se sentir melhor e em pouco tempo começou a encontrar soluções, não a longo prazo, mas para os problemas do aqui e agora.


E você? Você é aranha, mosca ou beija-flor nesta floresta? Que tal seguir o exemplo de Fidélia e depois compartilhar suas descobertas nos comentários do blog?


Por: Pá Falcão

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