O valor humano nas metodologias ágeis



Quem me segue aqui no blog, já sabe que estamos vivendo em um contexto de grande complexidade e que eu vejo a colaboração disciplinada como uma das propostas mais coerentes com as necessidades que nós humanos, grupos e empresas temos. De forma bem objetiva (e ágil), convido vocês para uma breve reflexão sobre o movimento agile.


As metodologias ágeis emergiram como uma proposta de gerar respostas inteligentes às constantes mudanças de contexto que estamos vivendo, primeiramente voltada para o desenvolvimento de softwares tendo sido adaptada e ampliada para ser usada como metodologias de gestão também para empresas de outros segmentos. Ser ágil não é necessariamente ser mais rápido, pois para mim representa a união entre ser eficaz (propor soluções adequadas) e eficiente (implementá-las no menor tempo). Ser ágil representa se movimentar com destreza, com desembaraço, com atenção, velocidade e ritmo. Na prática, representa a capacidade de raciocinar, decidir e de realizar tarefas, com prontidão e em movimento célere.


O manifesto ágil apresenta como valores os indivíduos e suas interações, a colaboração com o cliente, a capacidade de resposta às mudanças e softwares funcionando.


Os indivíduos e suas interações. Este pilar está diretamente relacionado à comunicação e capacidade de colaboração entre as pessoas. Promover interações mais rápidas e mais frequentes, gerando ritmo, em um ambiente de diálogo, para que todo o time possa continuar se movimentando rápido. Pode-se criar um ambiente mais aberto, mais inclusivo, com pessoas que pensam diferente uma das outras, que saibam apreciar e aprender com a jornada realizada e se desafiam pois sabem que tem um propósito claro a cumprir.


A “colaboração” com o cliente passa pela necessidade de compreender suas dores e se colocar como parceiro para ajudá-lo na criação de valor. Ao ouvir seu cliente, você identificará comportamentos e hábitos que lhe trarão pistas sobre suas necessidades. Em muitas situações, você perceberá que seu novo cliente está preocupado com a sustentabilidade do planeta e mais assustado (não diria ainda consciente) com a diferença social abrupta que temos no nosso mundo atual. Esse cliente começa a se preocupar com o porquê e os valores da sua marca, estando mais atento ao comportamento da empresa, uma vez que o número de interações no relacionamento tem aumentado. A colaboração com o seu cliente pode fortalecer alianças e lhe desafiar na buscar do seu melhor a cada dia. Não há entrega sem reflexão e aprendizado.


A capacidade de resposta às mudanças requer atenção ao momento presente, onde se realiza. Ver o problema quando ele ainda não tomou dimensões maiores é fundamental para promover mudanças gradativas e possíveis, muitas sem necessidade de grandes investimentos. A diversidade dentro da organização e dentro das equipes é importante para se consiga ter diferentes pontos de vistas analisados, tornando a decisão mais eficaz. Para isso, repensar o binômio autonomia e responsabilidade das pessoas que estão “trabalhando” na base da operação é fundamental, pois elas precisam saber identificar o problema quando ele acontece, em um ambiente psicologicamente seguro para querer compartilhar e criar soluções que impactarão na sua rotina.


Os processos precisam estar funcionando. Sabemos que toda organização precisa gerar resultados, pois há um grupo de pessoas que “colaboram” para criar valor juntos. Se não gera resultado, não sobrevive, é fato! Um resultado é consequência da realização de atividades que são feitas pelas pessoas, usando métodos, empregando tecnologias, gerando processos. Para mudar um resultado é necessário olhar atentamente para os processos realizados e repensá-los para agregar maior valor. Quem está no dia a dia dos processos, mais perto dos seus clientes e tem capacidade de perceber e sentir, se diferenciando dos algoritmos? O humano chamado de colaborador que, por muitos anos, a administração se referiu como recurso. Particularmente, eu prefiro tratá-los como a inteligência da organização.


Muitas empresas já constataram que os métodos ágeis são cada vez mais necessários na gestão moderna, mas enfrentam dificuldades na implementação. O que eu percebo é que, em muitos casos, a transformação acontece assim: primeiro chega a tecnologia, algumas pessoas e poucos experts tomam decisões de implementação, repensam seus processos e, por último, pensam nas pessoas que irão “viver o processo” – espero que com grande adaptabilidade, pois muitos operadores podem não ser treinados adequadamente. Se alguns trabalhadores não aprendem, não colaboram, não se tornam bons, acabarão sendo excluídos, não é mesmo?


Quando penso em mindset ágil, a primeira coisa que vem é: precisamos que nossa equipe entenda o que está acontecendo, o que está bom, o que precisa ser melhorado, que se sinta segura para compartilhar suas ideias, que desapegue, que saiba seu papel e responsabilidade, que conquiste autonomia, que queria melhorar e aprender a cada dia. Sem isso, no meu entendimento, qualquer metodologia não utilizará todo o potencial humano que se pode movimentar quando se tem um propósito comum.


Por: Reinaldo Rachid

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