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Onde a comunidade pode nos levar?


Nessas últimas semanas venho sentindo uma profunda dor, percebendo o ar meio parado, um clima tenso. Sei muito bem de onde vem esse sentimento, de um LUTO coletivo. Não tem como não nos sensibilizarmos por tudo que vem acontecendo. Porém, o que isso tem a ver com os caminhos que percorri pelas comunidades? Percebo algumas sintonias com o que presenciei por lá, a arte de LUTAR, a SOLIDARIEDADE, a COLABORAÇÃO, a DIVERSIDADE...


A arte de LUTAR. Quando se entra em uma guerra as primeiras coisas que se providenciam são as armas e se faz um levantamento de qual o tamanho do seu exército. E aí ficam algumas perguntas: quais são as verdadeiras armas que temos para combater o vírus e toda a realidade que ele está escancarando? Quem está do lado? Eu posso contar? Em diversas vezes enquanto eu caminhava pelas ruas das comunidades, ficou nítido que muitas vezes os órgãos e instituições que estão ali, nem sempre estão preocupados e sintonizados com as lutas comunitárias. Muitas vezes, até me deparei com diversos técnicos sensibilizados e preparados, mas que muito pouco conseguiam fazer pelas amarras institucionais que representavam. A luta comunitária costuma partir das “armas” e do “batalhão” que está dentro. Porém, nem por isso se desiste, eles persistem… Como?


Com a SOLIDARIEDADE o senso de empatia, o se preocupar com a dor do outro, o estar disponível para servir, o fazer junto, a COLABORAÇÃO, tudo isso, está ali presente de uma forma muito desenvolvida. Aprendida pela necessidade de sobrevivência, de enfrentamento, de um reconhecimento. Sendo que o reconhecimento que coloco aqui não é apenas o de um reconhecimento social mas, de um auto-reconhecimento e do se reconhecer em coletivo. Percebendo e operando com a DIVERSIDADE presente naquele ecossistema.


Com quanto conhecimento me deparei ao caminhar nas comunidades. Um conhecimento prático, verdadeiro, experimental e técnico. Sim técnico, o conhecimento técnico não está somente nos bancos da faculdade, está também na necessidade imposta pela vida. Lembro-me bem, das segundas feiras que passava com uma líder comunitária, no seu escritório (umas mesinhas no meio da vila). Ficava admirada com os conhecimentos técnicos que ela tinha a cada nova demanda. Por hora chegava uma avó contando que a neta havia sido abusada e ela explicava quais os passos precisavam ser feitos tanto para denunciar o abusador como para a proteção e superação por parte da criança. Em alguns minutos surgia um empreiteiro da prefeitura e ela dava uma aula sobre urbanismo. Ou o caminhão da CLT ou um morador ao descartar o seu lixo de forma desapropriada e ela tinha que recorrer à disciplina de gestão de resíduos, ou de CNV, ou de negociação. Onde ela tinha aprendido tudo isso? Na troca de experiências e no reconhecimento com a diversidade do sistema que a cercava, com a comunidade, com a necessidade e desafios impostos pela vida.


Todas essas reflexões e lembranças me levam a perguntas finais. Que dia vamos parar de ver as comunidades como necessitadas, como pobres coitadas? Que dia vamos reconhecer que temos muito o que aprender com os valores e as metodologias existentes?


Afinal, já imaginou a sua empresa realmente olhando para o que importa nesse momento? Olhando para a saúde e proteção dos seus funcionários? Olhando para o CUIDADO e pensando em como buscar a real SOBREVIVÊNCIA COLETIVA? Faça isso. Eu acredito que a Comunidade da sua Empresa consegue criar alternativas para continuar existindo e resistindo aos demais desafios que surgirem após o Cuidado Coletivo estar garantido.


LUTO, LUTA, LUTO, LUTA. Qual a sua escolha? Esperar ser decretado o lockdown?


Gratidão a todas as pessoas que me ensinaram e me acolheram nas comunidades, aprendi muito com cada um de vocês.


Por: Simone Catalan

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