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Por que competimos?

Por que competir quando o resultado será mais facilmente alcançado por meio da colaboração?


Estamos neste mês de agosto construindo conhecimentos e reflexões sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU – ODS. Nesse meu artigo, eu trago um enfoque para a importância da colaboração e parcerias para que as metas sejam alcançadas.


A educação tradicional vem ao longo dos anos preparando pessoas dentro do modelo mental da competição, no qual se prega que vivemos em um mundo onde não há recursos para todos e, por isso, temos que vencer sozinhos, lutando contra os outros para acumular o máximo de riqueza possível. Paradoxalmente, quando acumulamos recursos, retiramos os mesmos de circulação, gerando estoques pessoais, o que aumenta, por sua vez, os custos de acesso a esses recursos, ampliando a exclusão dos que não podem “pagar”.


Na visão da cooperação, percebe-se que, ao colaborar, podemos gerar mais recursos do que individualmente somos capazes, aumentando o fluxo dos mesmos, reduzindo os custos de acesso e permitindo mais inclusão. Trata-se, então, de entender o paralelo da escassez e da abundância, reconhecendo como o segundo modelo mental nos oferece uma nova perspectiva, ou seja, juntos podemos construir muito mais.


Para criar uma cultura colaborativa, precisamos compreender quatros virtudes, segundo a proposta de Brotto¹: desapego, integridade, plena atenção e abertura para compartilhar. Vamos entender cada uma dessas virtudes!


Desapego. Desapegar é compreender que nem tudo na vida é como queremos e que a melhor solução não é a de uma pessoa nem a de outra, mas aquela que as pessoas são capazes de criar conjuntamente. A partir da criação compartilhada, aumentam as chances de engajamento para que uma determinada decisão seja colocada em prática e se colha os resultados esperados.


Integridade. Passamos a maior parte do nosso tempo nos relacionando profissionalmente e socialmente com pessoas. Na cultura colaborativa, criamos um ambiente no qual somos respeitados como somos e nossa essência pode aflorar, sem medo do julgamento do outro.


Plena Atenção. A presença é fundamental para percebermos que além de cada pessoa, encontra-se o outro. Estar atento ao outro é criar a possibilidade de assimilar e compreender as diferentes perspectivas sobre uma mesma questão central, permitindo encontrar caminhos que podem acelerar a jornada em busca de uma solução.


Abertura para compartilhar. Quando estamos abertos para compartilhar, fomentamos a possibilidade de assimilar novas ideias e ampliar a nossa visão de mundo, inspirando a construção de pontes entre todas as fronteiras do conhecimento e experiência. Quando duas pessoas se encontram e compartilham suas ideias, as mesmas são multiplicadas e saímos do encontro com pelo menos duas ideias, além de vários insights que são gerados a partir dessa união, permitindo assim florescer ideias muito mais potentes.


Falar de colaboração restaura a dimensão do humano nas relações sociais e profissionais, organiza e sistematiza uma abordagem que favorece o despertar do que é mais genuíno nas pessoas, grupos e organizações, inspirando o desenvolvimento do “melhor” em cada indivíduo, ao invés do “ser melhor” que os outros. É encorajar nossa atuação colaborativa no cotidiano, contribuindo para a geração do bem-estar comum.


Colaborar é o caminho para gerar abundância, na qual o resultado é maior do que a contribuição individual e, para isso, exige um propósito comum que seja capaz de unir as diferenças. Na colaboração, pessoas passam a se desapegar, a ceder, em prol do propósito maior.


Reconhecer o outro é constatar que não estamos sozinhos enquanto compreendemos que somos diferentes e complementares, valorizando a experiência de cada um, buscando agregar novos conhecimentos. O que nos incomoda individualmente não é a diferença, mas o que de fato não conseguimos aceitar.


Tudo o que nós vemos e observamos é filtrado por nossa lente, por nossa experiência pessoal, carregado de crenças pessoais. Para as ciências da mente, tudo que experimentamos resulta da perspectiva de cada um. Mesmo em um mundo onde a informação está disponível a quase todos e nos conectamos por redes sociais com milhares de pessoas, as experiências pessoais ainda são limitadas às nossas escolhas, reforçadas por algoritmos que nos mantém sintonizados com o que preferimos, criando uma bolha que impede a ampliação da visão de mundo.

Por essa razão, percebemos uma acentuada dualidade, onde cada um acredita em um mundo real para si mesmo, criando várias realidades paralelas. Quando compreendemos que toda opinião é uma visão carregada de história pessoal, compreendemos também que, em todo julgamento, estamos falando mais sobre nós mesmos do que do outro.


Referências:

  1. BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos Cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar. 2ª. edição. Santos: Projeto Cooperação, 1997.

Por: Reinaldo Rachid

Este artigo atende a 4 principais objetivos de desenvolvimento sustentável:




Recomendo a visita às seguintes postagens deste blog:




Artigo sobre plena atenção


A importância da presença do líder nas organizações - Pelo Reinaldo Rachid








Artigo sobre um novo modelo de educação


Ambientes de aprendizagem: uma primeira aproximação. - Pela Ângela Schmidt










Artigo que aborda a colaboração na economia


Inovar, novos olhares, novas economias, Fluxonomia 4D - Pela Simone Catalan











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