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Qual o seu dom?

Atualizado: Ago 18

Quando criança ouvia dos meus pais que o estudo era importante para que eu pudesse ser alguém na vida. Recordo que nas conversas de escola com os amigos de sala de aula que todos eles partilhavam da mesma ideia, provavelmente vinda também de seus pais. Eu sempre fui inspirado pelo conhecimento e busco aprender coisas novas a cada dia com outras pessoas, com experiências vividas, com o sucesso, com o fracasso e mesmo nas conversas mais triviais com amigos. Com o passar dos anos, nas minhas escolhas profissionais, eu percebi que o acesso ao conhecimento nos traz sabedoria, mas também nos traz responsabilidade, seja pela simples ampliação da consciência ou pelo chamado para a ação, quando transformamos a teoria em prática.


Eu me lembro que as primeiras fontes de conhecimento que tive acesso, além das aulas tradicionais e dos livros didáticos, foram as famosas enciclopédias Barsa e Universal, impressas em papel que eram atualizadas anualmente com um novo exemplar. Muitos leitores podem sequer se lembrarem disso. Eu sempre fui um apaixonado pela matemática, pela física e pela química e por isso, fui estudar engenharia química. Já na faculdade, no início dos anos 90, tive acesso aos computadores e com o avanço da internet, eu percebi que ali eu poderia alimentar essa minha sede de conhecimento e me conectar com pessoas, expandindo a minha rede de troca, me conectando com outros professores de vida.


Ao longo da minha vida, eu sempre gostei de estar entre os melhores: o melhor aluno, o melhor filho, o melhor consultor, o melhor professor. Até no treinamento militar ao qual eu fui submetido durante a faculdade, uma atividade que não tem nada haver comigo, eu me sobressaí entre os melhores. No entanto, algo me deixava curioso: eu não me esforçava para estar entre os melhores e esse resultado estava relacionado mais ao meu nível de atenção à narrativa do outro, do professor. Enquanto eu estava na sala de aula, eu estava muito atento e se houvessem dúvidas, ali mesmo eu a tiraria. O meu processo de aprendizado era algo natural que, ao longo da vida, entendi que estava relacionado por minha escuta ativa e empática à narrativa do outro e por minha intenção de fazer bem feito o que me proponho a fazer.

Nessa rápida trajetória, eu quero trazer alguns pontos para refletirmos. O primeiro ponto está na crença limitante de que se você não estudar não será alguém na vida. Antes de tudo, se você nasceu, você já é alguém na vida e tem a importância relativa para muitos que convivem com você. Desde criança começamos o processo de aprendizado pela observação dos comportamentos das pessoas que nos cercam e vamos para a escola aprender o conhecimento básico que vai se ampliando com o decorrer dos anos. Para muitos, o modelo tradicional de aprendizado passa a não fazer muito sentido e pode ocorrer um certo desestímulo. Será que temos que aprender exatamente as mesmas coisas?


O segundo ponto que gostaria de trazer é qual o seu dom? A palavra dom tem origem etimológica no latim dõnum que significa dádiva, doação. Podemos entende-lo como algo que você recebeu ao nascer e que desde criança você faz muito bem, um talento inato que pode ser lapidado a partir do aprendizado formal e que acontece de forma natural. O nosso dom a gente não aprende nas escolas, mas podemos canalizar todo o aprendizado para que possamos expressar o nosso dom de forma plena.


Todos nós temos o nosso dom e uma boa dica para descobrirmos é perguntar diretamente aos amigos próximos, familiares “qual é o meu dom?” ou se eu tivesse que perder as minhas habilidades, qual aquela que me descaracterizaria por completo se eu a perdesse? Eu fiz essa experiência na minha rede social e descobri coisas maravilhosas.


Convido a todos fazerem o mesmo e comentar aqui no blog como foi a experiência.


O nosso dom normalmente não está relacionado com o dinheiro que ganhamos pelo trabalho e sim com aquilo que fazemos que nos faz sentir bem. Encontrá-lo pode nos ajudar na importante missão de vida, nos permitindo descobrir qual o verdadeiro propósito pessoal, na nossa existência humana. Se pensarmos em grandes nomes da música, por exemplo Ivete Sangalo, podemos nos perguntar: caso ela não fosse uma cantora de sucesso, ainda sim ela estaria cantando? O grande aprendizado dessa reflexão está no fato de que quando conseguimos usar o nosso dom com consciência em nosso trabalho, temos a sensação de que o trabalho é algo gostoso, natural, leve e divertido.


O terceiro e último ponto que quero convidar à reflexão é sobre a abundância que existe de conteúdo e que está espalhado no planeta para acessarmos. O conhecimento está disponível para todos nós, seja no círculo de pessoas do nosso convívio, seja na internet, no livro ou na academia como se fosse uma fonte infinita, um repositório de conteúdo que vai aumentando à cada dia e que podemos acessar a partir da nossa experiência pessoal e das nossas escolhas. É tanta informação que pode virar até desinformação, dependendo da intenção de quem está gerando o conteúdo, mas não quero falar das “Fake News”.


No mundo moderno onde somos inundados cada vez mais com as referências externas estamos perdendo a nossa capacidade de conexão conosco mesmo. Quando buscamos ser melhor que o outro estamos construindo nossa história sobre a perspectiva do outro, sendo isso é o oposto da abundância, pois estamos nos restringindo à experiência do outro em um mundo de infinitas possibilidades. Além disso, querer ser mais rico, mais inteligente, mais bonito que o outro acaba nos trazendo uma frustração muito grande, pois sempre haverá um outro alguém que seja MAIS do que nós somos. Não significa que não podemos ter, ser, querer mais do que temos e somos, não havendo nada de errado em querer melhorar, em querer se sentir fisicamente melhor, em querer se enriquecer, em estar mais saudável. No entanto, o ponto de referência deve ser interno, permitindo que o nosso ser do amanhã seja melhor do que o ser de hoje.


É importante olharmos para dentro de nós e descobrirmos qual é o nosso dom que nos permitirá realizar nosso propósito, realizando de forma leve as nossas construções no mundo. A educação é uma das formas que vejo para ampliar o nosso nível de consciência sobre as nossas escolhas, sobre como utilizamos o nosso tempo e sobre como deixaremos o nosso planeta para futuras gerações. Diferentemente de um ditado popular que diz que a ignorância é uma bênção, eu escolho agir e acreditar que a educação é o melhor caminho para o crescimento sustentável.


Por: Reinaldo Rachid

Esse artigo atende aos seguintes objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU:








Links de outros artigos do Blog para aprofundar no tema:







Autoconhecimento e Empregabilidade - Escrito pelo Conselheiro Daniel Bregantin para o Wwwarpando










Consumo Consciente - Escrito pela Conselheira Isabela Sobreira para o Wwwarpando











Competência: A inteligencia em ação - Escrito por mim








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