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Quarenten-year

Em julho desse ano, eu fui convidado a me projetar para 31 de dezembro de 2020 e, desse lugar, escrever uma retrospectiva do ano. Os fatos relacionados nessa crônica eram um misto de realidade e desejos para o futuro. Estamos no final de 2020 e resolvi compartilhar com os leitores do nosso Wwwarpando esta retrospectiva. Será que eu sonhei muito ou minhas projeções se tornaram realidade?


Comente sua resposta ao final e boa leitura!



Era o tão esperado Carnaval e todos em Belo Horizonte animados por essa festa popular que há alguns anos enchem as ruas de alegria, quando todo mundo sorri, colorindo os bairros da cidade. Um espetáculo realmente bonito de ver e sentir.


Os mineiros estavam desconfiados, pois souberam que o Covid-19 estava se espalhando pelo mundo e logo chegaria lá. Algumas semanas após os excessos do carnaval, a cidade parou por cerca de 2 meses e conseguiu evitar o descontrole que assolaria o sistema de saúde da capital. Todos sabiam que os próximos meses seriam bem desafiadores e que nos exigiriam capacidade de adaptação, resiliência e gestão emocional.


A cidade teve um excelente resultado quando comparado a outras capitais brasileiras que já registravam perdas de vidas em um ritmo jamais visto pela maioria dos brasileiros. Não havia como continuar parado, a cidade precisava voltar a funcionar. Como já se sabia, tudo que o vírus precisava era a circulação do vetor humano para permitir a transmissão. Algumas semanas depois da abertura, junto à chegada do inverno, a taxa de ocupação dos leitos alcançara números próximos da capacidade disponível. Adiar esse início foi importante para o planejamento do sistema de saúde, mas o caos estava instalado e o barulho das ambulâncias era um som comum da minha janela.


Após quatro meses de contato social reduzido, muitas organizações estavam bem otimistas e sinalizavam uma tentativa de retomada ao normal, refazendo planos, se movimentando para a transformação – sim, cada organização percebeu que o mundo estava mudando de maneira acelerada e ela precisava se transformar também. Observei várias mudanças de comportamento das pessoas nas relações consigo mesmo e com o outro. Coisas aparentemente estranhas estavam acontecendo, tais como pessoas frequentando virtualmente a casa dos colegas de trabalho, passando a se comunicar com maior frequência com seus gestores e equipes do que quando estavam sentados no mesmo andar. De repente, por um click, você era teletransportado para uma sala virtual, tornando possível encontrar pessoas que não se viam há muito tempo, pela dificuldade da distância. Houve relatos de aumento de produtividade, mesmo com todas as outras obrigações que a maior presença em casa nos exigiu.


O mundo estava mesmo mudando. As pessoas começaram a perceber que poderiam, de dentro casa, entrar ao vivo nas redes sociais e dizer o que pensavam e se posicionar. Começa o período da presença em vídeo, da troca do texto pela imagem, da “live”, do pouco tempo de deslocamento, em uma nova economia de baixo contato. A recomendação para evitar o toque ainda estava presente e o medo aumentava à medida que se observava pessoas mais próximas perdendo vidas de pessoas queridas, como um amigo, parente ou mesmo vizinho. Muitos passaram por uma experiência bem reflexiva com receio de ser parte do grupo que teriam complicações mais graves.


Grande parte das pessoas, nesse período de isolamento, se dispôs a estar mais em contato consigo mesmo do que outrora. Antes do isolamento, essas pessoas se relacionavam com os outros de forma tão intensa que se esqueciam de alimentar a relação consigo. Certamente, o isolamento propiciou a auto-observação e o redirecionamento da atenção para o seu entorno, ampliando a autopercepção de si mesmo, o que gerou muitos aprendizados e mudanças pessoais, de forma consciente ou não.


As organizações começaram a perceber a necessidade de desenvolver a autonomia das pessoas para que elas conseguissem realizar seus trabalhos remotamente. Os gestores se surpreenderam com a capacidade de entrega de seus colaboradores e começaram a perceber que o contato tão de perto, às vezes, mais atrapalhava do que ajudava.


Nas lives que se sucediam, a palavra mais presente era colaboração com dois vieses claros: i) colaborar na empresa, quando os líderes pouco sabiam sobre o futuro, compartilhando sinceramente suas incertezas e ouvindo mais sua equipe em busca de soluções em conjunto e ii) colaborar por solidariedade, com a perspectiva de uma crise econômica e social que era anunciada. Assim, começaram a perceber a força que a colaboração pode gerar.


Muitas empresas pensaram em como transformar o seu negócio, mas a pressão por resultados e o caixa apertado dificultaram na realização dos investimentos necessários. A colaboração então passa a ser pensada em uma outra camada, entre empresas que passaram a compartilhar estoques que circulavam lentamente, empresas áreas realizando acordos de cooperação, dentre outras iniciativas.


O consumidor começou a perceber que poderia receber quase tudo na sua casa por delivery, exceto os abraços apertados que gostaria. Dado à recessão que o mundo entrou com muitas famílias tendo a sua renda reduzida, as pessoas começaram a reavaliar suas necessidades de bens de consumo. As refeições passaram a ser preparadas em casa, não se precisava de tanto combustível para os carros de passeio e aviões comerciais. Pessoas com doenças respiratórias crônicas se atentaram que parte do seu problema estava relacionado à poluição das grandes cidades em que viviam. Começamos a ver um movimento migratório dos grandes centros urbanos para o seu entorno e interior, em busca de maior qualidade de vida.


No mundo, grandes ondas de nacionalismo estavam acontecendo, com as nações se recolhendo, selecionando criteriosamente quem poderia estar no seu país. Grandes empresas como locadora de veículos, companhia áreas e bancos faliram, pois suas pesadas estruturas não comportavam menos dinheiro circulando. Os países altamente dependentes do capital estrangeiro, como o Brasil, viram os investimentos migrando para seus países de origem para a reconstrução das economias locais.


Com o recurso escasso e menor disponibilidade do emprego, as pessoas, em seus momentos de isolamento reflexivos, se conectaram consigo e perceberam seus dons e o que as tornavam únicas, permitindo o crescimento do empreendedorismo local. Pequenas empresas mais flexíveis e com atuação na vizinhança começaram a prosperar. O consumidor passou a valorizar o pequeno produtor e a pequena empresa, encurtando distâncias e elevando os patamares de qualidade.


Para sobreviver, grandes empresas tornaram suas estruturas mais leves, mais ágeis, mais eficientes, permitindo a redução dos preços de seus produtos, tornando-os mais atrativos ao novo consumidor. Algumas empresas buscaram rever sua razão de ser nesse novo mundo, se conectando e explicitando seu propósito e participando de ações de impacto social como forma de mostrar o seu papel na reconstrução de uma nação. No campo da gestão, empresas se destacavam por constatar que a colaboração pode gerar mais resultados e que vencer dificuldades juntos gera resiliência e aprendizado coletivo.


Hoje, em 31 de dezembro 2020, refletindo sobre o ano da quarentena, eu constatei que, embora o mundo esteja fisicamente fechado e cheio de barreiras, as relações e as trocas de conhecimento passam a ser realmente globalizadas, descortinando um novo mundo de possibilidades, onde você pode se conectar virtualmente com quem quiser, independentemente da distância física.


O que você aprendeu em 2020? Quais são seus sonhos para o novo ano? Com quem você quer se conectar em 2021?


Clique no link e você será teletransportado para lá

Belo Horizonte, 10 de julho de 40 (ops, 2020).

Por: Reinaldo Rachid

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