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Retribuição ou Reciprocidade?


Iniciei, esta semana, mais uma jornada de mentoria voluntária. Antes da pandemia já aconteciam algumas, principalmente para jovens empreendedores que me buscavam pelo meu “expertise” técnico. Fui gostando do que ia acontecendo, não só por estar em ação (coisa que preciso, que nem alguém que é adicto em algo) mas também por ir percebendo a geração de elos de confiança e responsabilidade ao longo do caminho.


Hoje, já participo de outros tipos de mentorias voluntárias, cujas portas de entrada não são mais meu repertório técnico, mas sim, a vontade imensa de participar do sucesso do outro. Parece romântico isso, né? Explico a reflexão:


No início desta semana, por conta deste novo projeto, participei de uma sessão de preparação de mentores. Vamos nos dedicar a mentorar jovens mulheres que serão multiplicadoras de iniciativas de desenvolvimento de liderança feminina para outras jovens em suas comunidades.


A facilitadora do grupo pediu a nós, participantes, que escolhêssemos uma palavra para iniciar nossas apresentações. Esta palavra deveria ter conexão com o porquê estávamos entrando no projeto. Vieram palavras das mais diversas, claro... Desde propósito até joaninha (isso mesmo... e a explicação dela pela escolha desta palavra foi brilhante! Ela estava neste projeto porque ela queria apoiar as pessoas a sentir o que sentimos quando uma joaninha entra na nossa casa e anda pertinho da gente...)


Entrei em pânico... e... depois de ter escutado tanta gente legal falando de suas palavras, suas histórias de vida, resolvi proferir a minha: RETRIBUIÇÃO.


Minha explicação se baseou em eu ser oriunda de uma bolha social privilegiada, e, depois de tanto tempo vivendo nesta bolha, construí uma vida boa, mas também ajudei a reforçá-la nos seus padrões competitivos, exclusivos, por vezes gananciosos, e por isso me sinto cansada...


Na minha lógica torta, descansar será trabalhar mais (!), retribuindo, para o ambiente que me fez o que sou, o conceito das coisas boas que eu aprendi, ao mesmo tempo que também pudesse ajudar a questionar e mudar os padrões deletérios que eu não reconhecia antes. Por isso, estar num programa de mentoria de jovens mulheres é ter a permissão de estar em um ambiente propício para compartilhar, com os outros, tudo o que eu tenho de melhor, que, na minha opinião, é o meu repertório...


Fiquei muito mexida com minha explicação... me senti até meio arrogante... “Quem sou eu para ensinar algo a alguém?”, ”E quem sou eu para achar que meu repertório é de qualidade para ajudar alguém?” e, na falsa modéstia da pessoa com Síndrome de Impostora, chorei de montão e até pensei em sair do time de mentoras.


Foi aí que veio a luz de ressignificar a palavra! Não é RETRIBUIÇÃO e sim RECIPROCIDADE. A palavra aí no sentido pleno de dar e receber. Dou o que acho que tenho de melhor e ganho a permissão de entrar na vida de alguém...


Com isso, de maneira mágica, sinto força e mais vontade de continuar. Passo a responsabilidade para o outro decidir o que quer receber e se o que eu tenho pra compartilhar agrega ou não. Do meu lado, assumo a responsabilidade de cuidar da forma e do conteúdo da melhor maneira possível para entregar e construir o que for necessário... não para mim... não para a jovem mulher que será minha “mentorada”, mas sim para nós, numa nova realidade.


De verdade, sugiro, para cada um que ler este artigo, que busque entender e viver mais e mais o trabalho voluntário de mentorias.


No próximo artigo, trarei algumas dicas de entidades e programas que estão fazendo isso acontecer!


Por: Lígia Mardiression

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