SABER ECONOMIA É PRECISO!!

Vivemos em um sistema capitalista, em uma economia de mercado, com relativa/baixa intervenção do Estado na Economia e esse contexto molda a nossa forma de vida, de relacionamento econômico-social e, principalmente, de tomada de decisões.


Não é incomum, infelizmente, escolhermos uma carreira profissional com base nos possíveis futuros rendimentos ao invés de nos pautarmos pelos nossos talentos e dons.


Não é raro, infelizmente, deixarmos nos levar pelas condições impostas por um sistema financeiro perverso, quando precisamos de suas orientações e/ou dos seus serviços.


É até bem usual, infelizmente, navegarmos pelos mares do consumismo desenfreado, muitas vezes, de coisas que não precisamos, compradas com o dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não conhecemos. E que depois são descartadas, aumentando a montanha de lixo e resíduos que poluem cada vez mais o planeta e a vida.


A profa. Kate Raworth, propositora da Economia Donut, nos compara com peixes, alheios ao meio líquido em que vivemos. Diz ela:


Vivemos numa monocultura de dinheiro, tão familiar e consagrada que – como peixes que nunca perceberam a existência da água – mal temos consciência dela.1


E, como peixes, também nadamos contra a corrente, muitas vezes alheios a esse processo e, pior, correndo o risco de abocanhar as ‘iscas apetitosas’ do mercado, após o que estaremos... fritos, literalmente.


Então conhecer a Economia, nossa conjuntura e as políticas econômicas é preciso, sim.


E não só a Economia tradicional mas também outras alternativas e, principalmente, as novas tendências que tem promovido verdadeiras rupturas nas transações e nas possibilidades.


Pontes entre as Economias


História

Primeiramente, precisamos conhecer melhor nossa história e toda a formação do sistema que vivenciamos atualmente.


Começando na Idade Média, adentrando o período mercantilista das Grandes Navegações, o surgimento das primeiras intermediações financeiras até desembocar na Revolução Industrial, vemos muita assimetria na distribuição de riqueza e oportunidades ao longo da história.


Mas, com a instauração das máquinas, essa desigualdade tomou proporções gigantescas, caracterizando o regime que temos atualmente.


Recomendo o livro A História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman2. Esse livro, escrito em 1936, é indicado nas escolas até os dias atuais.


Economia Solidária

Economias paralelas foram surgindo ao mesmo tempo, como é o caso da Economia Solidária, que se iniciou em meados do séc. XIX, onde um grupo de trabalhadores, cansados de tanta exploração nas fábricas, constituíram o que ficou conhecida como a primeira Cooperativa de Consumo.


Embora desacreditado no início, o sistema deu muito certo e se espalhou pelo mundo todo, abrangendo praticamente todos os segmentos da Economia. Hoje temos cooperativas de: produção, educação, habitação, consumo, trabalho, crédito, etc.


Damos especial destaque às cooperativas de crédito que, ao conseguirem se organizar na forma de Federações e Confederações, atualmente possuem seus próprios bancos, devidamente registrados no Banco Central. Um espaço alternativo ao Sistema Financeiro vigente.


Outras modalidades também foram surgindo como os Clubes de Troca, mediante moedas sociais. Interessante essa possibilidade de prática de escambo, utilizando uma moeda própria para facilitar as trocas.


Isso sem falar dos Bancos Comunitários que, amparados pelo Banco Central, promovem desenvolvimento local em regiões mais carentes, pois utilizam também moedas sociais em paralelo à moeda oficial, fiduciária.


Para quem quiser conhecer um pouco mais recomendo os livros do prof. Paul Singer3, que foi um dos precursores da Economia Solidária no Brasil.



Novas Economias

Mas o destaque mesmo damos às tendências das Novas Economias que, pautadas nas relações de Confiança e Cuidado, vem mudando as formas de relacionamento sócio-econômico de maneira exponencial.


Calcados nas Sociedades em Rede, na Tecnologia e nos Recursos Intangíveis, que são abundantes e se multiplicam com o uso, criamos novas formas de Economia, com olhares mais futuristas e inovadores.

Para quem quiser se aprofundar no assunto recomendo o livro das futuristas Lala Dehenzelin e Dina Cardoso4.


Criando Pontes

Por fim, para quem tiver interesse em observar e criar pontes entre essas modalidades de economia, recomendo a obra de minha autoria, onde conteúdos dessas três vertentes econômicas estão alinhados de forma didática.

Para tornar o conhecimento bastante palatável, o livro foi escrito na forma de storytelling, abrangendo também aspectos políticos e filosóficos.


Inspirado no clássico As Viagens de Gulliver5, onde o personagem percorre várias ilhas desconhecidas, nosso protagonista também viaja a um arquipélago distante, onde em cada ilha encontra uma forma própria de economia e de relação política.


Uma resenha da obra pode ser encontrada no site: https://redesolsocial.com.br/ponte-entre-economias-lancamento-do-livro/6


A partir dessas reflexões é possível perceber que estamos migrando de conjunturas de escassez para relações de abundância; de situações de concentração de riqueza, para expansão de possibilidades e inventividades.


E assim torna-se clara a importância de se conhecer melhor nosso contexto econômico e político, deixando-se de ser ‘um peixe fora d’água’ e passando a ‘nadar de braçada’ no mar do futuro econômico que já começou.


Referências

  1. RAWORTH, Kate. Economia Donut – Uma Alternativa ao Crescimento a Qualquer Custo – Zahar Editores, Rio de Janeiro, 2017

  2. HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem – Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1981 – 17ª. Edição

  3. SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. Editora Perseu Abramo, São Paulo, 2002

  4. DEHEINZELIN, Lala e CARDOSO, Dina. Novas Economias Viabilizando Futuros Desejáveis – Editora Flux4DPress, São Paulo, 2019

  5. SWIFT, Jonathan – Viagens de Gulliver – 1726 – e-Books Brasil, 2004

  6. DORNELLAS, Helena S., Ponte entre a Economia Tradicional e as Novas Economias – Economia, Política e Filosofia em época de Transição – Clube de Autores, São Paulo, 2020

Artigo escrito pela Conselheira: Helena Siqueira Dornellas

Helena Siqueira Dornellas é economista, MBA em Gestão de Pessoas, especialista em Economias Solidárias e Novas Economias. Atuou nas áreas de Planejamento e Controladoria de grandes instituições financeiras.


Teve programas em rádios e tvs comunitárias.

Atuou como consultora na formação de Cooperativas e também na formulação de análises macroeconômicas voltadas para as relações de trabalho no segmento financeiro. Atuou ainda em gestão do Terceiro Setor.


Atualmente é coach de Planejamento e Finanças e criadora do canal Simplifik, que aborda temas sobre Economia e Novas Economias.


Tem projetos voltados para Educação à Distância, que deverá ser efetivado em breve. Em junho/19, lançou o livro Economias Colaborativas, pela Amazon.


Seus artigos e livros podem ser encontrados no site: https://redesolsocial.com.br/

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