• Equipe wwwarpando

TEMPOS DE PANDEMIA E COMUNICAÇÃO

Atualizado: Jul 31

Conheço um provérbio que afirma: “os surdos sempre podem pensar que os que dançam estão loucos, se não conhecerem o que é a música”. Ninguém se conhecia, enquanto pessoa, vivendo em uma pandemia, ninguém sabia como se comportaria em um estado em que somos colocados em uma situação concreta inquestionável: o que faço impacta (e rapidamente!) na vida do outro, assim como a recíproca é verdadeira, o que outros fazem impacta na minha vida.


O óbvio ficou ainda mais evidente: a realidade emerge dos relacionamentos! Não que a física quântica já não tivesse nos tentado avisar. Desde a década de 80, F. Capra, com o livro “O ponto de mutação”, tornou a física quântica mais “popular” e expôs para os leigos (como eu!) que a realidade é incerta, que as estruturas são inseguras e que o mundo é extremamente rico em possibilidades.


Diante dessa nova realidade, sucesso nos negócios é sinônimo de ser capaz de fazer gerência da mudança e de descartarmos interpretações e opções de ação diferentes daquelas já conhecidas e das quais confiamos! Precisamos prestar atenção nos outros! Como as pessoas estão agindo? Do que elas estão falando e como estão ouvindo? E nós mesmos! Quais são nossos talentos, habilidades? Como estamos usando esse nosso tempo e que tipo de trocas estamos fazendo?


Recordo Krishnamurti, mestre indiano, que afirmou “a comunicação real só pode ocorrer quando houver silêncio”. Ou seja, uma reflexão possível é se estamos aproveitando esse momento de “fique em casa” para revermos nossas escolhas, relações e nossa capacidade de fazer trocas. Comunicação é troca. Troca significa eu e outro. Pós COVID-19 fica claro que as mudanças das quais seremos chamados a participar no futuro imediato serão ao mesmo tempo profundamente pessoais e inerentemente sistêmicas. Que tipo de relações queremos preservar, qual a qualidade dos encontros que queremos manter, que propósitos consideramos supremos e inegociáveis nas trocas que fazemos.


Os cenários costumam, sem dúvida, alterar a consciência das pessoas (por isso, muitas vezes, utilizamos mentalização, visualizações para nos acalmar, para meditarmos); portanto, se aproveitarmos esse cenário para visualizar um mundo onde todos os seres humanos se importam com a vida (como enfermeira que sou, quero continuar com esse sonho!), estaremos dando um grande passo na compreensão do diferente, do “outro que não eu” para, junto com minha própria percepção e conceitos, criarmos um mundo onde a escuta seja realmente profunda.


As crises, como a atual, não desaparecem porque nos limitamos a combater sintomas. É preciso chegar às causas. Problemas difíceis podem gerar soluções sintomáticas e soluções fundamentais/estruturais. As soluções sintomáticas são imediatistas; as fundamentais/estruturais reveem relacionamentos.


Voltamos ao Capra: “Os relacionamentos são mais importantes que as coisas”. Em todos os níveis da vida. O COVID-19 mostrou isso. As estatísticas dependem do comportamento humano a cada dia! Não temos ideia do nosso potencial para recriar o mundo. Nos processos de troca, de comunicação, à medida que a consciência cresce, reagimos menos e agimos mais. É necessária uma grande “dose” de consciência para entender que, talvez, esse ser que chamamos “eu”, nada mais seja do que uma aglomeração de nossas experiências passadas, nossos condicionamentos e programações. Quando interagimos, é difícil abrir mão de uma solução que nos parecia perfeita! É isso que exige a construção coletiva, porém. O apego aos condicionamentos e crenças nos arrasta para longe do momento presente, o momento do encontro, criando um “véu” para novas possibilidades.


Desafiador aceitar esse mundo que se materializa de maneira diferente do nosso esperado/desejado! A capacidade de escolher é fundamental e está sempre ligada à nossa consciência. Podemos ser realmente sapiens quando aceitamos que somos co-criadores do mundo: criaturas que criam! A pandemia nos permitiu refletir sobre a importância de todos e de cada um. Nas suas/nossas trocas, na forma como nos comunicamos com e na Terra.


Bibliografia citada

Capra F. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix; 1982.



Escrito pela Conselheira: Maria Júlia Paes da Silva


- Enfermeira com doutorado em comunicação interpessoal pela USP.


Contato: https://br.linkedin.com/in/maria-j%C3%BAlia-paes-da-silva-1a8096103

56 visualizações

Receba nossas atualizações

  • YouTube - círculo cinza
  • LinkedIn - círculo cinza
  • Instagram