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Um Conto Culinário

Era noite e os ingredientes aproveitavam a escuridão e o vazio da cozinha para conversar. O sal, sempre muito competitivo, tentava convencer o açúcar de que, sem ele, nada aconteceria. O açúcar, com toda a sua doçura, acolhia o sal e mostrava que quando se juntavam poderiam criar algo muito ruim ou muito bom. Argumentava também que, todos que comiam só coisas salgadas acabavam querendo um doce e quem comia só coisas doces acabava querendo um salgado. Mas o sal não se convencia.


A pimenta, atrevida e espevitada como sempre, se meteu na conversa falando que sem ela as comidas não tinham graça. A canela, acaloradamente, concordou e ainda declarou que estava no mesmo time. O coentro sabia que era mais forte que toda a pimenta e canela juntas daquela cozinha. Mas, sabendo que nem sempre era muito querido, humildemente ficou quieto.


A farinha, demorada e bonachona, lembrou que, sem ela, todos os temperos do mundo não alimentariam as pessoas. Os ovos concordaram imediatamente.


As trufas brancas, muito esnobes, declararam que não estavam nem aí para alimentar as pessoas, só queriam mostrar o quanto eram raras e proporcionar uma experiência inesquecível, tanto para o paladar quanto para o bolso.


O pão de forma, quieto e humilde, traçava uma estratégia para virar torrada e convencer um ovo a ajuda-lo a conquistar as trufas.


Estavam nesse conversê quando ouviram passos descendo a escada. Imediatamente ficaram calados e imóveis. O humano chegou, acendeu a luz e pegou o macarrão instantâneo. Três minutos no microondas e pronto. O humano pegou o copinho de macarrão, um garfo, saiu da cozinha e apagou a luz.


Os demais macarrões instantâneos da prateleira riram: - Não adianta vocês ficarem discutindo quem é o melhor. Nós somos o que ele quer. Rápido, fácil e padronizado. Todas as cozinhas do mundo terão a nossa presença em pouco tempo. Nós vamos dominar o mundo!


A cebola e o alho se entreolharam assustados, pensando em quanto tempo fazia que não eram picados e fritos. As frutas lembraram de todas as amigas da fruteira que tinham passado do ponto porque ninguém comia.


Os alimentos suspiraram deprimidos enquanto os macarrões instantâneos, em suas embalagens plásticas impecáveis e padronizadas, pensavam em quanto tempo demoraria para toda a comida ir embora e ser substituída por eles.


De repente, da frente da casa, ouviu-se uma gritaria: - Macarrão instantâneo de novo? Você viu seus exames médicos? E esse monte de plástico que vem com o macarrão? Como você faz uma coisa dessas? Vamos preparar alguma coisa decente pra você comer, não vai comer isto!


Mas mãe – o menino ainda tentou argumentar – eu não sei cozinhar e dá trabalho...


- Pode dar trabalho, mas gera saúde e satisfação. Vamos lá comigo! – a mãe tirou o macarrão instantâneo da mão do menino, entrou na cozinha e jogou no lixo. – Vamos fazer um picadinho com arroz, feijão e salada de alface e tomate. Sempre foi o seu preferido!


- Nossa, faz tempo mesmo que eu não como isso! O menino sorriu.


A mãe selecionava os ingredientes, que explodiam de felicidade ao saber que seriam usados.


- Mãe, posso fazer uma salada de frutas com hortelã? – as frutas mal podiam se conter na fruteira!


- Claro, filho, pega hortelã lá na horta!


E assim, mãe e filho conviveram, os ingredientes perceberam que o importante era cada um trazer o seu melhor especificamente para aquele prato, na quantidade necessária, foi criada uma refeição deliciosa e saudável e os ingredientes realizaram seu propósito de vida. O planeta ficou mais equilibrado e feliz.


Só quem não ficou feliz foi o dono da fábrica de macarrão instantâneo, sabendo que dali para a frente aquela casa não traria mais dinheiro para o seu bolso.


E a sua cozinha? Traz felicidade ou dinheiro no bolso de quem não está interessado em que as pessoas e o planeta sejam sustentáveis? Que parcerias você tem feito na cozinha da sua casa? E na empresa? E na vida?


Por: Pá Falcão

Este artigo atende a 4 principais objetivos de desenvolvimento sustentável:









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