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Vamos Empreender? Parte 2

No meu artigo anterior falamos da importância de compreender a jornada do cliente e qual a proposta de valor que o seu produto ou serviço se propõe a entregá-lo. No artigo de hoje, eu apresento alguns aspectos importantes para a gestão financeira do seu novo negócio.


Quando nasce um novo negócio, é importante que o empreendedor comece em uma escala menor e planeje uma curva de crescimento mensal. À medida que a operação vai se concretizando, é preciso olhar para os resultados alcançados, comparando-os com o planejamento realizado para que se possa incorporar novos aprendizados a partir do cenário real. Vários fatores que não foram pensados na construção do plano inicial podem interferir no seu negócio, muitas vezes por estar imbuído de uma elevada dose de otimismo necessária para manter a motivação para enfrentar os desafios do empreendedorismo.


O plano de negócio detalhado passa a ser o guia para checar se a curva de crescimento e os resultados planejados foram alcançados. Para que seja possível realizar esse acompanhamento, é importante medir todas as movimentações de recursos que vão constituir a visão financeira do seu negócio. Todas as operações de venda do produto, de compra de insumos, matéria-prima ou pagamento de salário dos funcionários, impostos ou qualquer conta que seja referente ao seu negócio devem ser registradas e tratadas para permitir a comparação com o plano inicial.


Na constituição do novo negócio, deve-se contar com os serviços de um escritório de contabilidade que, além de lhe ajudar nos trâmites de abertura da empresa, fará o registro das suas operações, gerando demonstrativos contábeis para o cálculo dos impostos a pagar. Periodicamente, esses documentos são enviados às entidades governamentais para fiscalização se o imposto devido por lei foi calculado corretamente e se foi realmente pago (liquidado). Embora a contabilidade precise garantir o registro correto das informações, o seu principal objetivo é assegurar a conformidade com a legislação, informações estas que não lhe serão úteis para uma correta tomada de decisão, a partir da comparação dos resultados com o plano inicial. Dessa forma, o registro da informação deve acontecer de forma gerencial dentro da empresa, preferencialmente em uma planilha eletrônica, permitindo-lhe construir análises das informações financeiras, conforme detalhando de forma sucinta nos itens abaixo:


  1. O preço unitário que foi estimado para a venda está sendo aceito pelos clientes? O volume de vendas (unidades vendidas) está se concretizando conforme o previsto? Se o preço real pago está diferente do valor da oferta inicial, deve-se registrar tal diferença como desconto concedido. Se os descontos estão sendo necessários com muita frequência, é preciso analisar se o preço de apresentação do produto deverá ser reduzido para ganhar competitividade. A receita gerada pela venda é a principal entrada de recursos na sua empresa. A partir da aceitação dos produtos por seus clientes, você terá uma primeira ação de ajuste do seu preço de venda e/ou ajuste no mix produzido e vendido, sendo essa uma importante análise do preço médio de venda. Ter uma boa gestão das suas vendas é importante, pois essa é a informação que passamos para todo o mercado, inclusive para seus concorrentes, que certamente irão reagir diante das decisões que você tomará.

  2. O segundo ponto é determinar o custo de produção ou de compra da mercadoria vendida, considerando todos os custos necessários para se ter o produto disponível para a venda. Chama-se custo variável aquele que está ligado diretamente ao produto vendido. Significa que, se as vendas aumentarem, o seu custo aumentará proporcionalmente a esse crescimento. Se as vendas diminuírem, o seu custo será menor. A estrutura física, o custo de pessoal, de energia, manutenção, itens de consumo administrativo não devem compor o custo do produto, pois ele existirá independente da quantidade vendida e, portanto, serão tratados como despesas fixas. Os custos devem ser menores do que o preço de venda, ou seja, se uma mercadoria de revenda custa R$ 100,00 para adquirí-la, você deve vendê-la a um preço maior para garantir a geração do lucro bruto, que representa o montante de dinheiro que sobra para a empresa arcar com suas despesas fixas e gerar lucro aos empreendedores (investidores). O custo variável unitário (valor de compra para revenda ou de produção de uma unidade) é uma métrica importante para definir o seu preço de venda, pois a partir dele pode-se determinar o menor preço que assegure a geração de resultado positivo. Embora se tenha um valor de referência (custo teórico que deve estar calculado no planejamento inicial), o acompanhamento desse custo poderá sinalizar perdas realizadas, aumento das matérias-primas e insumos ou mesmo baixa eficiência da produção. Essa diferença entre o real e o esperado precisa ser trabalhada continuamente para que não se tenha custos desnecessários e onere o seu preço de venda. Tenha em mente que o seu cliente não pagará por qualquer ineficiência na sua operação, caso ele tenha opções mais atrativas ofertadas por seus concorrentes.

  3. Todas os demais gastos que não foram registrados na linha de custos, ou seja, aqueles que serão gerados independentemente da quantidade vendida, são tratados como despesas fixas, como mencionado anteriormente. A orientação é que você registre essas despesas separando-as por grupos de gastos, como por exemplo: despesas com pessoal, energia, telefonia, viagens, marketing, manutenção, dentre outros. Novamente, a comparação com o plano inicial deve ser feita para avaliar se foram considerados todos os gastos que de fato estão existindo (orçamento). Esse acompanhamento permitirá você visualizar a evolução dessas despesas e analisar se estão sendo realmente necessárias, identificar o que pode ser reduzido, além de acompanhar eventuais aumentos de preços por parte dos fornecedores, trazendo-lhe informações para negociação, substituição ou incorporação desse aumento no preço do seu produto ou na redução de seu lucro.

  4. Todas as informações acima, principalmente os gastos tratados no item 3, devem estar relacionadas com o ciclo de operação do negócio e não devem conter nenhum gasto pessoal do empreendedor para que fiquem devidamente separadas as pessoas física e jurídica. Tais gastos pessoais devem ser arcados diretamente pelo empreendedor a partir do honorário de pró-labore determinado (salário mensal) e/ou pelo lucro gerado devidamente apurado e periodicamente distribuído. Principalmente nos estágios iniciais, é importante que parte desse lucro seja reinvestido na própria operação para propiciar o crescimento esperado.


Com todas essas informações devidamente registradas internamente você poderá tomar várias decisões para avaliar se o seu plano de negócio inicial foi bem elaborado, identificar ajustes necessários no mesmo e avaliar a saúde financeira da sua operação. A maior parte dos pequenos negócios costuma prosperar no seu estágio inicial e, com o aumento da operação, o volume de recursos financeiros que gira mensalmente aumenta e, consequentemente, o tamanho da perda associado aos riscos de o negócio não dar certo. Criar os indicadores e metas que lhe orientarão e sinalizarão os problemas a serem resolvidos é o que chamamos de gestão e será abordado futuramente.


No próximo artigo, falarei sobre como calcular o Capital de Giro, o volume necessário de recursos para colocar o seu negócio operando, considerando os prazos que seus fornecedores lhe concedem, os prazos que são concedidos aos seus clientes e o tempo em que o produto fica no seu estoque, uma vez que sua venda pode não acontecer sob demanda.


Por: Reinaldo Rachid

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