• Equipe wwwarpando

Vamos empreender – Parte 3

Nos meus dois últimos artigos publicados aqui no Wwwarpando eu venho detalhando aspectos importantes sobre o empreendedorismo, tais como a conexão do seu propósito com o seu cliente, destacando-o como a figura central de uma grande idéia e os aspectos financeiros que demonstraram a saúde financeira desejada para o sucesso do empreendimento.


A forma mais fácil de enxergar se um negócio está prosperando é observar o caixa da empresa, expresso por todos os recursos financeiros disponíveis, seja para o reinvestimento no próprio negócio ou para a realização do pagamento de dividendos aos sócios investidores. Esse caixa é formado pelo aporte de capital inicial, mas principalmente pelo resultado da operação do próprio negócio a partir do lucro resultante da venda de um produto ou serviço, após ter quitado todos os custos e despesas necessárias, incluindo também os impostos devidos.


O que vou abordar nesse novo artigo é algo muito comum e que pode colocar em risco um bom negócio: como calcular a quantidade de recursos financeiros necessária para abrir o próprio negócio, dividindo-os em 02 categorias: Investimento e Capital de Giro.


  1. Investimento - Para começar uma operação será necessário identificar todos os equipamentos que serão importantes para que o seu produto chegue até seu cliente, como por exemplo máquinas para a produção, para a exposição do seu produto no ponto de venda, equipamentos de escritório, aparelhos de telefone, computadores e veículos, câmaras de refrigeração para produtos resfriados e congelados, dentre outros. São equipamentos que estão diretamente relacionados com a capacidade de produção e comercialização do seu produto e não entram diretamente no seu custo, consequentemente, não impactando na formação do seu preço de venda. Esse investimento retorna para a empresa após alguns meses ou até mesmo anos, a partir do lucro que a operação irá gerar. Dessa forma, calcular a taxa e o tempo de retorno do investimento realizado são bons indicadores para tomar a decisão de investir ou não, principalmente quando o recurso para o investimento vier de terceiros, provenientes de empréstimos. Esse tipo de investimento, contabilmente, é chamado de recursos (ativos) imobilizados e não tem tanta liquidez (facilidade de transformá-lo em dinheiro), pois são necessários para a operação e, quando vendidos, já estão depreciados, ou seja, perdem valor em relação ao momento da compra, tal qual acontece com a venda de um carro que um dia foi novo e perdeu valor no tempo de uso. Ao longo do tempo, pode ser necessário realizar novos investimentos para aumentar a sua capacidade de operação, sendo o recurso necessário proveniente do lucro gerado na própria empresa ou a partir de uma nova entrada de recursos (próprios ou de terceiros).

  2. Capital de Giro – A venda de um produto normalmente ocorre após o produto estar disponível para o seu cliente. Até esse estágio, foi necessário comprar matérias-primas e insumos para a sua produção ou mesmo adquirir o produto para revenda. Além disso, gastam-se recursos para pagar os colaboradores, energia, transporte até o ponto de venda ou até o seu cliente, dentre outros. No entanto, podemos nos perguntar: se o produto vai ser vendido, esse recurso não virá diretamente da receita das vendas? A reposta é sim, mas há o fator tempo que precisa ser considerado e que lhe demandará mais recursos até que a operação comece a girar perfeitamente.

O capital de giro é o dinheiro necessário para garantir a operação, sendo usado para financiar todo o período em que a operação ainda não retornou o dinheiro para o caixa. Após produzido seu produto ou após disponibilizada uma mercadoria para venda, é necessário aguardar que o cliente efetue a compra. Nesse período, estamos criando estoques que irão se converter em receita após o cliente efetuar a compra. Essa é uma das parcelas do capital de giro que precisamos considerar, o valor financeiro dos estoques desde a entrada na empresa até a saída ao cliente.


A segunda parcela do capital de giro está relacionada ao prazo que os nossos clientes precisam para efetuar o pagamento, pois muitas vezes a compra desse tipo de produto ou serviço precisa estar alinhada à prática de mercado ou à necessidade do nosso cliente. Quanto maior o prazo, mais demorado o recurso estará no caixa da empresa, sendo que uma venda à vista ajuda na redução do capital de giro.


O outro fator a ser considerado é o prazo de pagamento que negociamos com os nossos fornecedores. Se compramos à vista, o recurso financeiro sai do caixa imediatamente e aumenta a necessidade de capital de giro. Nesse caso, o ideal é conseguir negociar um prazo maior com os fornecedores de forma que eles passam a financiar parte do capital de giro necessário, reduzindo-o. Algumas despesas como energia, água, telefonia e salários dos colaboradores já tem um prazo de pagamento de pelo menos 30 dias, sendo a maior preocupação com a compra de insumos e dos itens de revenda, pois esse prazo para pagamento está associado à política de crédito que os fornecedores praticam e está relacionado com a confiança e capacidade de pagamento de seus clientes. Assim, começando um novo negócio poderá ser mais difícil conseguir uma boa negociação.


A associação mais comum e de fácil compreensão é imaginarmos um reservatório de água, como mostrado na figura 1. A água que entra no reservatório (matéria-prima) é absorvida e fica estocada até que todo o volume seja preenchido para que a água chegue à saída (produto). Se a operação se mantém estável, esse estoque tende a ser constante e o capital de giro (nesse caso o estoque) é colocado apenas uma vez. No entanto, se desejamos ampliar a nossa operação (muitas vezes necessário para crescer), precisaremos de um reservatório maior e, consequentemente, preenchê-lo com maior quantidade de água, havendo maior necessidade de capital de giro.


Quando ocorre uma redução da operação, o efeito é contrário à analogia com o reservatório. Nesse caso, há uma redução da necessidade de capital de giro e o recurso volta para o caixa da empresa.


Estar atento às movimentações do caixa da empresa é essencial para que o empreendedor possa avaliar com maior certeza as decisões que irão sustentar o crescimento do seu empreendimento.

Figura 1: Analogia do reservatório ao Capital de Giro.


Por: Reinaldo Rachid

Confira outros artigos aqui no blog wwwarpando sobre o tema:







Vamos empreender - Parte 1 , Pelo Reinaldo Rachid















Vamos empreender - Parte 2 , Pelo Reinaldo Rachid











Empreender Cuidado - pela Simone Catalan

Receba nossas atualizações

  • YouTube - círculo cinza
  • LinkedIn - círculo cinza
  • Instagram