Sobrevivência na reclusão

Atualizado: Mai 20

Hoje é meu oitavo dia de total reclusão. Não sei mais onde são as portas de saída de casa. Sou do grupo de risco e, neste momento, quero me manter sã para me ajudar e ajudar outras pessoas, como eu puder.
Entendo neste momento a lei do avião: “Coloque a máscara antes em si próprio e depois ajude os outros a colocarem as suas”

Exatamente por isso, vou compartilhar aqui algumas dicas que têm dado certo para mim, no que se refere a como lidar com este isolamento. Dada a volatilidade dos tempos, é possível que estas dicas sejam diferentes amanhã. Mas, de uma coisa tenho certeza: a aprendizagem contínua fará serem criadas outras formas de se lidar com isso tudo.


Talvez estas dicas não sirvam para todos, pois, necessitam, por requisito, de ferramentas e habilidades que não estejam disponíveis universalmente, o que confirma a desigualdade original deste mundo (uma pena!). Outra coisa é que eu poderia “re-compartilhar” aqui as inúmeras dicas concretas publicadas nos mais diversos meios de comunicação. Mas, preferi não fazer isso, para não me tornar repetitiva. Mas, vamos lá...


  1. Somente há dois anos é que venho trabalhando em casa. As tentações são muitas: Os livros que gosto, os programas de TV, ficar nas redes sociais e até mesmo a confortável cama chama para um cochilo. Minha oração contra as tentações se chama AGENDA DO DIA. No dia anterior ou na manhã, após acordar, agarro um pedaço de papel e escrevo tudo o que preciso fazer no dia. Chamo isso de Planejamento de Curto Prazo!

  2. A lista de tarefa recebe priorização e horários para cada atividade. Minhas exacerbadas competências de orientação à ação e resultado sorriem de felicidade a cada tarefa feita e cumprida

  3. Por vezes aparecem coisas para fazer que não estavam na lista. E por vezes estas aparecem emergencialmente. Eu as faço e quando as acabo, as coloco na lista e as risco, dando como terminadas. Faço isso para poder ter controle do tempo e cada vez mais aprender sobre meu padrão de uso do mesmo

  4. Minha agenda do dia tem tarefas de todos os tipos, desde as mais burocráticas, até as mais prazerosas. Tem tarefas para a mente e para o corpo. Tem tarefas para o trabalho e para a família, para mim e para fazer para os outros. Deixo as prazerosas para intercalar com outras nem tanto assim, e as uso como pequenas recompensas. A dica aqui é: sou uma pessoa por inteiro, portanto, várias coisas compõem este inteiro... Há tarefas para mim, cumprindo todos os meus papéis.

  5. Fico a maior parte do tempo fisicamente sozinha, então, os momentos de interação têm sido muito importantes. No início destes momentos, como quebra gelo, falamos de como estamos e o que estamos sentindo. Inacreditavelmente sempre alguém na interação lança uma visão positiva de futuro e nos convoca à viagem para lá. Como mágica, inicia a produção de algo: idéias, projetos e até mesmo específicas tarefas originadas destas idéias e projetos. Sorrio feliz! São pontos que habitarão minhas AGENDAS DO DIA em outros momentos.

  6. Quem sou eu na fila do pão? Entendo que, ter estado sozinha e agora em isolamento, me coloca fortemente em contato com alguém muito próxima de mim: EU MESMA! Tenho aprendido a reconhecer meus padrões, preferências e atitudes. Mas, mais importante que isso, tenho reconhecido o impacto de meus atos e jeito de ser nas outras pessoas e podido refletir sobre se faria da mesma forma ou mudaria a abordagem. Tenho aprendido muito acerca de mim mesma. Esta dica está valendo ouro...

Minha agenda do dia de hoje, como foi a de ontem e certamente será a de amanhã e depois, termina com o fechar de olhos, um pensamento e às vezes uma tristeza pelas ocorrências do dia, a mentalização de um agradecimento pelo que vivi e a vibração positiva para o dia seguinte. O que há na sua agenda do dia? Você já está se organizando assim? Têm mais dicas para compartilhar?


Por: Lígia Mardiession

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