• Equipe wwwarpando

O que uma viagem, uma fortaleza medieval, arte japonesa e a aprendizagem tem a ver com o momento?

Se pudéssemos viajar para fazer turismo, eu lançaria o seguinte desafio:


“Ganha uma viagem para qualquer país de escolha, passagem e estadia de 20 dias, com o objetivo de viver a cultura, hábitos e costumes, o primeiro que acertar a pergunta: Qual é o contrário de FRÁGIL/FRAGILIDADE?”


Errou quem respondeu FORTE/FORTALEZA! (eu erraria, antes de ter conhecido o conceito que vou compartilhar com vocês!)


Em 2017, em uma palestra no Campus São Paulo, ambiente fervilhando de novidades patrocinado pelo Google, o conceito me foi jogado na cara. A explicação trouxe junto a necessidade de relembrar temas da física e da dinâmica dos materiais. Ele nos convidou a pensar e colocar em nossa tela mental símbolos concretos de objetos fortes e fortalezas. Na minha tela vieram: poste elétrico e muralha medieval! Aí, por magia, um slide com uma foto de um poste elétrico e de uma muralha medieval saiu de minha tela mental e foi para a tela do auditório - “Ahhhhhh!!!! Como sou previsível!!!” – pensei.


Apontando as fotos, o palestrante explicou que ser forte é bom para algumas coisas, mas não tão bom para outras. Ser forte remete a um estado estático, pesado, concreto e inabalável, “faça chuva ou faça sol”. Importante para a defesa, no momento onde o invasor vinha a cavalo, munido de uma espada, mas totalmente inútil para defender o castelo, quando o inimigo vem do céu e pelo ar, tal como um vírus, talvez...


O palestrante nos convidou a relativizar, que talvez fosse mais interessante pensar que, para não ser frágil hoje e “não quebrar fácil”, é necessário, então não ser forte e sim dinâmico, leve, abstrato e vulnerável.

A isso ele chamou de ANTIFRAGILIDADE

O contrário de frágil= ANTIFRÁGIL


E vamos às reflexões:

O conceito é de autoria do professor líbano-americano de riscos no Instituto Politécnico da Universidade de Nova YorkNassim Nicholas Taleb, nas publicações “Iludido Pelo Acaso: A Influência Oculta da Sorte nos Mercados e na Vida”, de 2004 e “A Lógica do Cisne Negro”, de 2007 e depois “Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos”. Mais recentemente, em 2018 , publicou “Arriscando a própria pele: Assimetrias ocultas no cotidiano”. Tô doida para ler algo dele pós pandemia...


Taleb força o leitor a entender que neste mundo VUCA (leia os outros artigos deste blog), as questões que chegam a nós para serem resolvidas são caracterizadas por 3 elementos: imprevisíveis, impactantes e depois que acontecem, buscamos sempre explicá-las, registrá-las, classificá-las para talvez prevê-las.


Desta terceira característica nasce uma aprendizagem, que nos torna diferentes e aptos a receber esta questão novamente e lidar com ela, ou simplesmente nos ensina e nos marca todo o dia, feito tatuagem, sobre o processo de lidar com o que vem ou arriscar viver algo novo, para simplesmente, incorporar outras lições.


Mais do que a RESILIÊNCIA, onde passamos por uma situação e lidamos com ela sem quebrar, a ANTIFRAGILIDADE nos leva a passar pela situação, lidar com ela e sair dela com uma evolução na nossa forma de sentir, pensar e agir.


No ato me lembrei do Kintsugi, arte oriental que conserta porcelanas quebradas, unindo seus pedaços com ouro. O frágil material que se partiu em pedaços, renasce mais lindo e rico!


Aprendi que a ANTIFRAGILIDADE é um conjunto de princípios que ajudam a encarar o indesejável não como um problema, mas sim como uma oportunidade para a melhoria contínua.


Está sendo útil lembrar desta palestra de 2017. Está sendo útil registrar tudo o que estou aprendendo neste momento. Confie no processo!


Por: Lígia Mardiression


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